PTG 01 Ortografia Oficial

Bem-vindo ao Leão Concursos. Preparamos esta aula para guiar você, passo a passo, no aprendizado da Ortografia Oficial da Língua Portuguesa. Ao longo desta aula, vamos construir juntos uma base sólida em escrita correta, acentuação, emprego do hífen e uso adequado das letras, com teoria, exemplos práticos e exercícios aplicados à preparação para concursos públicos de todas as áreas.


Antes de mergulharmos nas regras e nos detalhes, vale uma reflexão: por que a ortografia merece tanta atenção?

Pense na seguinte situação. Um servidor público redige um parecer técnico em que recomenda a “cessão” de um bem público. Se, por descuido, escreve “seção” ou “sessão”, o documento ganha um sentido completamente diferente — e o que era uma transferência de direitos pode ser interpretado como uma reunião ou uma divisão administrativa. Em concursos públicos, esse tipo de confusão não é mera hipótese: as bancas exploram exatamente essas armadilhas para testar se o candidato domina a grafia correta e compreende o significado preciso das palavras.

A ortografia é a parte da gramática que estuda a escrita correta das palavras. A própria origem do termo já revela sua essência: vem do grego orthos (correto, exato) e graphía (escrita). Não se trata, portanto, de um conjunto arbitrário de regras inventadas para dificultar a vida de quem estuda. Trata-se de um sistema organizado que garante clareza, precisão e uniformidade na comunicação escrita — qualidades indispensáveis tanto na vida profissional quanto nas provas que você vai enfrentar.

📌 O que você vai aprender nesta aula

Nesta aula, percorreremos sete grandes blocos de conteúdo, cada um com função específica na sua preparação. Vamos conhecê-los brevemente para que você tenha uma visão panorâmica do caminho que trilharemos juntos.

1. O Alfabeto da Língua Portuguesa

Começaremos pelo alicerce: as letras que compõem nosso alfabeto e a distinção fundamental entre letras e fonemas. Você entenderá por que o alfabeto brasileiro passou a contar com 26 letras após a inclusão do K, W e Y pelo Acordo Ortográfico, e como essa distinção entre o que se escreve e o que se pronuncia é explorada pelas bancas. Parece básico, mas é justamente aqui que muitos candidatos tropeçam em questões aparentemente simples — como identificar quantos fonemas tem a palavra “exceção” ou “nascimento”.

2. Emprego de Letras

Este é um dos blocos mais extensos e mais cobrados. Vamos estudar as regras que governam o uso de letras que geram confusão frequente: S ou Z? X ou CH? G ou J? E ou I? O ou U? Ç ou SS? Você descobrirá que, por trás dessas dúvidas, existem padrões e regularidades que podem ser aprendidos — e não apenas decorados. Imagine o cidadão que precisa preencher um requerimento administrativo e hesita entre “análise” e “analize”, entre “pesquisa” e “pesquiza”. Esse tipo de erro, que parece pequeno no cotidiano, pode custar pontos decisivos numa prova.

3. O Novo Acordo Ortográfico

Desde 2009, o Brasil adota as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, firmado entre os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). A obrigatoriedade plena entrou em vigor em 1º de janeiro de 2016. Neste tópico, vamos estudar as mudanças que esse acordo trouxe para a acentuação, para o uso do hífen e para a eliminação do trema, além dos casos de dupla grafia autorizada. Embora as alterações afetem cerca de 0,8% do vocabulário brasileiro, elas incidem sobre palavras de uso muito frequente — e, por isso, são presença constante nas provas.

4. Emprego do Hífen

Se existe um tema que gera dúvida até em profissionais experientes da língua, é o hífen. As regras envolvendo prefixos como auto-, contra-, semi-, super-, anti-, micro- e macro- foram significativamente alteradas pelo Acordo Ortográfico e continuam sendo um dos assuntos mais explorados pelas bancas. Neste tópico, vamos organizar essas regras de forma clara e objetiva, com um raciocínio lógico que permitirá a você resolver as questões sem depender exclusivamente da memorização. Pense no servidor que precisa redigir um ofício e se pergunta: escrevo “auto-escola” ou “autoescola”? “Anti-inflamatório” ou “antiinflamatório”? Aqui, você terá as respostas — e, mais importante, entenderá o porquê de cada uma delas.

5. Acentuação Gráfica

A acentuação é o tópico da ortografia que mais sofreu alterações com o Acordo Ortográfico e, ao mesmo tempo, um dos mais cobrados em provas de todas as bancas. Vamos estudar a classificação das palavras quanto à sílaba tônica (oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas), as regras de acentuação de cada grupo, os acentos diferenciais que permaneceram e os que foram eliminados, além dos hiatos e ditongos que costumam gerar confusão. Você vai compreender, por exemplo, por que “ideia” perdeu o acento, mas “herói” o manteve; por que “voo” não tem mais circunflexo, mas “pôr” continua acentuado. São distinções que as bancas adoram cobrar — e que, uma vez compreendidas, dificilmente serão esquecidas.

6. Emprego de Palavras Homônimas e Parônimas

Voltamos aqui ao exemplo que abrimos esta introdução. Palavras homônimas são aquelas que possuem a mesma pronúncia ou a mesma escrita, mas significados diferentes. Palavras parônimas, por sua vez, são aquelas com escrita e pronúncia semelhantes, porém não idênticas, e que frequentemente são confundidas. A distinção entre “eminente” (ilustre) e “iminente” (prestes a acontecer), entre “ratificar” (confirmar) e “retificar” (corrigir), entre “tráfego” (movimento de veículos) e “tráfico” (comércio ilegal) é o tipo de conhecimento que separa o candidato preparado daquele que apenas “chuta” nas questões. Em documentos oficiais, trocar uma dessas palavras pela outra pode alterar completamente o sentido de um ato administrativo — e, na prova, pode significar a diferença entre a aprovação e a reprovação.

7. Expressões que Geram Dúvidas

Encerramos a aula com um conjunto de expressões que, pela semelhança sonora ou pela proximidade gráfica, são fontes constantes de erro. “A fim” ou “afim”? “Ao encontro de” ou “de encontro a”? “Onde” ou “aonde”? “Por que”, “porque”, “por quê” ou “porquê”? “Mal” ou “mau”? Cada uma dessas expressões tem uso específico, e a confusão entre elas é uma das armadilhas mais recorrentes em provas de concursos. Vamos trabalhar cada caso com exemplos contextualizados, para que você internalize não apenas a regra, mas a lógica por trás dela.


📎 Como aproveitar ao máximo esta aula

Ao longo de todos os tópicos, você encontrará exemplos extraídos do cotidiano da administração pública e da vida do cidadão comum, pontos de atenção que destacam os aspectos mais cobrados pelas bancas, e atividades práticas que o convidam a aplicar o que aprendeu. O objetivo não é que você decore listas intermináveis de palavras, mas que compreenda os mecanismos da ortografia — porque quem entende a lógica erra menos, esquece menos e resolve questões com mais segurança.

Uma recomendação importante: tenha sempre por perto um caderno ou folha para anotações. Nos momentos em que pedirmos que você escreva, copie ou preencha lacunas, faça isso de verdade. O ato de escrever à mão ativa circuitos de memória que a simples leitura não alcança. Estudar ortografia é, em grande medida, um exercício de prática — e quanto mais você pratica, mais natural se torna a escrita correta.

Dito isso, vamos ao primeiro tópico. Preparado? 🚀


Você concluiu a introdução da Aula 01 — Ortografia Oficial. No próximo tópico, estudaremos O Alfabeto da Língua Portuguesa, onde veremos a distinção entre letras e fonemas, a classificação dos sons vocálicos e consonantais, e as mudanças trazidas pelo Acordo Ortográfico ao nosso alfabeto. Continue firme nos estudos!


Bem-vindo ao Leão Concursos. Preparamos esta aula para guiar você, passo a passo, no aprendizado do sistema alfabético e fonológico da Língua Portuguesa. Ao longo deste tópico, vamos construir juntos uma base sólida em fonologia aplicada, com teoria, exemplos práticos e exercícios aplicados à preparação para concursos públicos.

🎯 Objetivo deste tópico: Ao final, você será capaz de distinguir letra de fonema, classificar os fonemas em vogais, semivogais e consoantes, identificar dígrafos e dífonos, e determinar com segurança quantos fonemas uma palavra possui — habilidade diretamente cobrada pelas principais bancas organizadoras.


Pode parecer estranho que um curso voltado para concursos públicos comece pelo alfabeto. Afinal, todos nós aprendemos as letras ainda na infância. Mas aqui está o ponto que muitos candidatos negligenciam: as bancas não cobram se você sabe recitar o alfabeto — elas cobram se você compreende a diferença entre o que se escreve e o que se pronuncia. Essa distinção, aparentemente simples, é a chave para resolver questões de fonologia, acentuação gráfica e separação silábica com precisão.

Vamos, então, construir essa base com o cuidado que ela merece.


1.1. Letras e Fonemas: Distinções Fundamentais

Para compreender a ortografia de qualquer língua, é preciso antes entender que a escrita e a fala são dois sistemas diferentes. A escrita representa a fala, mas essa representação nem sempre é perfeita — e é justamente nas imperfeições que as bancas encontram material para elaborar questões.

Letra é o sinal gráfico utilizado para representar, na escrita, os sons da fala. É aquilo que você vê no papel ou na tela. Fonema, por sua vez, é a menor unidade sonora capaz de estabelecer diferença de significado entre palavras. É aquilo que você ouve e pronuncia.

Veja como essa distinção funciona na prática. Compare as palavras “pato” e “rato”. A única diferença entre elas está no primeiro som: /p/ em “pato” e /r/ em “rato”. Essa troca de um único fonema altera completamente o significado da palavra. Logo, /p/ e /r/ são fonemas distintos da língua portuguesa — cada um deles, sozinho, é capaz de diferenciar o sentido de uma palavra.

Agora, o ponto crucial: nem sempre o número de letras de uma palavra coincide com o número de fonemas. Essa é a essência das questões de fonologia em concursos. Existem três situações possíveis:

Situação 1 — O número de letras é igual ao número de fonemas. É o caso mais comum e o ponto de partida para qualquer análise. Na palavra “mato”, por exemplo, temos 4 letras (m-a-t-o) e 4 fonemas (/m/, /a/, /t/, /o/). Cada letra corresponde a exatamente um som.

Situação 2 — O número de letras é maior que o número de fonemas. Isso ocorre quando há dígrafos ou quando a letra H aparece no início da palavra sem representar som algum. Na palavra “chuva”, temos 5 letras, mas apenas 4 fonemas, porque as letras C e H juntas produzem um único som — o som de /x/ (como em “xícara”). Esse fenômeno recebe o nome de dígrafo, que estudaremos em detalhes mais adiante.

Situação 3 — O número de letras é menor que o número de fonemas. Isso acontece quando uma única letra representa dois sons. Na palavra “táxi”, temos 4 letras, mas 5 fonemas, porque a letra X é pronunciada como /k/ + /s/. Esse fenômeno é chamado de dífono.

📌 Atenção, candidato: as bancas — especialmente Cebraspe, FGV e FCC — frequentemente pedem que o candidato identifique quantas letras e quantos fonemas uma palavra possui. A armadilha está em palavras que contêm dígrafos, dífonos ou a letra H muda. Dominar essa distinção é o primeiro passo para não perder pontos em questões que parecem fáceis, mas eliminam muitos candidatos.

Vamos fixar essa lógica com um método prático que você pode aplicar a qualquer palavra:

Passo 1: Conte as letras da palavra. Esse é o placar inicial — parta do princípio de que o número de fonemas é igual ao de letras.

Passo 2: Verifique se a palavra começa com H. Se sim, subtraia 1 fonema do placar, pois o H inicial não tem som próprio na língua portuguesa. Exemplo: “hora” tem 4 letras, mas 3 fonemas (/o/, /r/, /a/).

Passo 3: Verifique se há dígrafos na palavra. Para cada dígrafo encontrado, subtraia 1 fonema. Exemplo: “nascimento” — as letras SC formam um dígrafo (som de /s/) e as letras EN formam um dígrafo vocálico (som de /ẽ/). Portanto, a palavra tem 10 letras, mas 8 fonemas.

Passo 4: Verifique se há dífono. Se a letra X for pronunciada como /ks/, acrescente 1 fonema ao placar. Exemplo: “fixo” tem 4 letras, mas 5 fonemas (/f/, /i/, /k/, /s/, /o/).

Vamos aplicar esse método a uma palavra que as bancas adoram: “exceção”.

  • Letras: E-X-C-E-Ç-Ã-O = 7 letras.
  • A letra X, neste caso, é pronunciada como /s/ (e não como /ks/). Portanto, não há dífono.
  • Mas espere: temos XC, que forma um dígrafo — duas letras com um único som (/s/). Subtraímos 1 fonema.
  • O til (~) sobre o A indica nasalização, mas não é uma letra adicional — ele transforma o /a/ em /ã/.
  • Resultado: 7 letras e 6 fonemas.

💡 Perceba que o raciocínio não exige decorar uma lista de palavras. Exige compreender o mecanismo. Quando você entende o princípio, consegue analisar qualquer palavra que apareça na prova — inclusive aquelas que nunca viu antes.


Dígrafos: Quando Duas Letras Valem Um Som

Como vimos, o dígrafo é a combinação de duas letras que, juntas, representam um único fonema. A própria palavra revela sua natureza: vem do grego di (dois) + gráphō (escrever). Escreve-se com duas letras, mas pronuncia-se com um só som.

Os dígrafos da língua portuguesa dividem-se em dois grupos: consonantais e vocálicos.

Dígrafos consonantais são aqueles em que duas letras representam um único som de consoante. Os principais são:

  • CH → som de /x/: chave, chuva, chefe. Aqui, a letra H é chamada de letra diacrítica — ela não tem som próprio, mas altera a pronúncia da letra C, que passa a soar como /x/.
  • LH → som de /λ/: filho, trabalho, abelha. Novamente, o H modifica o som do L.
  • NH → som de /ɲ/: ninho, manha, banho. O H altera o som do N.
  • RR → som de /R/: carro, terra, garrafa. Duas letras, um som.
  • SS → som de /s/: pássaro, assento, massa. Duas letras, um som.
  • SC → som de /s/ (antes de E ou I): nascer, crescer, piscina. Cuidado: nem todo SC é dígrafo. Em “escola” (es-co-la), o S e o C pertencem a sílabas diferentes e cada um tem seu próprio som — nesse caso, trata-se de um encontro consonantal, não de um dígrafo. Essa é uma distinção que as bancas exploram com frequência.
  • → som de /s/ (antes de A ou O): nasça, cresça, desça.
  • XC → som de /s/ (antes de E ou I): exceção, excesso, excêntrico. Igual ao caso do SC: duas letras, um som.
  • GU → som de /g/ (antes de E ou I, quando o U não é pronunciado): guerra, guitarra, guia. Se o U for pronunciado — como em “linguiça” ou “aguentar” — não há dígrafo.
  • QU → som de /k/ (antes de E ou I, quando o U não é pronunciado): queijo, quilo, quente. Se o U for pronunciado — como em “frequente” ou “cinquenta” — não há dígrafo.

⚠️ Ponto de atenção sobre GU e QU: a distinção entre dígrafo e não dígrafo depende exclusivamente da pronúncia do U. Se o U é pronunciado, ele contribui com um fonema próprio e não há dígrafo. Se o U é mudo (não pronunciado), as duas letras formam dígrafo. Compare: em “guerra” (/gɛra/), o U não soa — dígrafo. Em “aguentar” (/agwẽtar/), o U soa — não é dígrafo. Essa é uma armadilha clássica de provas.

Dígrafos vocálicos ocorrem quando uma vogal é seguida de M ou N na mesma sílaba, formando um único som nasal. Os dígrafos vocálicos são: AM, AN, EM, EN, IM, IN, OM, ON, UM, UN. Nesses casos, o M ou o N não funciona como consoante — funciona como um sinal gráfico de nasalização, como se fosse um til.

Exemplos:

  • “campo” → o grupo AM forma um único som nasal /ã/. A palavra tem 5 letras, mas 4 fonemas.
  • “tempo” → o grupo EM forma o som nasal /ẽ/. São 5 letras e 4 fonemas.
  • “cinto” → o grupo IN forma o som nasal /ĩ/. São 5 letras e 4 fonemas.
  • “bomba” → o grupo OM forma o som nasal /õ/. São 5 letras e 4 fonemas.
  • “fundo” → o grupo UN forma o som nasal /ũ/. São 5 letras e 4 fonemas.

⚠️ Cuidado com uma armadilha comum: quando o M ou N aparece no final da palavra após uma vogal e antes de outra consoante, pode formar um ditongo nasal, e não um dígrafo vocálico. Compare: em “campo” (cam-po), o AM está na mesma sílaba — dígrafo vocálico. Já em “cantam” (can-tam), o AM final forma um ditongo nasal decrescente (/ãw/) — não é dígrafo. A mesma lógica se aplica a terminações como -EM em “sentem” (ditongo nasal) versus -EN em “senti” (dígrafo vocálico: sen-ti).

Para organizar essa classificação, observe a seguinte estrutura:

📂 Dígrafos da Língua Portuguesa ├── 📁 Consonantais │ ├── Inseparáveis (ficam na mesma sílaba): CH, LH, NH, GU, QU │ └── Separáveis (ficam em sílabas diferentes): RR, SS, SC, SÇ, XC └── 📁 Vocálicos └── Vogal + M ou N na mesma sílaba: AM, AN, EM, EN, IM, IN, OM, ON, UM, UN

Essa classificação em inseparáveis e separáveis tem impacto direto na separação silábica. Os dígrafos inseparáveis (CH, LH, NH, GU, QU) nunca se dividem: cha-ve, fi-lho, ni-nho, guer-ra, quei-jo. Os dígrafos separáveis (RR, SS, SC, SÇ, XC) sempre se dividem: car-ro, pas-sei, nas-cer, nas-ça, ex-ces-so.


Dífono: Quando Uma Letra Vale Dois Sons

O dífono é o fenômeno inverso do dígrafo. Enquanto no dígrafo temos duas letras para um som, no dífono temos uma letra para dois sons. Na língua portuguesa, o dífono ocorre exclusivamente com a letra X, quando ela é pronunciada com o som de /ks/.

Exemplos de dífono: táxi (/táksi/), fixo (/fíkso/), tóxico (/tóksiko/), complexo (/complékso/), nexo (/nékso/), reflexo (/reflékso/), boxe (/bókse/), oxigênio (/oksigênio/).

Em todas essas palavras, a letra X representa dois fonemas (/k/ + /s/), o que faz com que o número de fonemas seja maior que o número de letras.

⚠️ Atenção: nem toda palavra com X contém dífono. A letra X é uma das mais versáteis do nosso alfabeto e pode representar diferentes sons, dependendo da palavra:

  • Som de /x/ (como CH): xícara, enxame, abacaxi.
  • Som de /s/: próximo, máximo, trouxe.
  • Som de /z/: exame, exato, exemplo.
  • Som de /ks/ (dífono): táxi, fixo, tóxico.

Somente quando o X tem som de /ks/ é que ocorre o dífono. Nos demais casos, a letra X representa um único fonema e não altera a contagem.


1.2. Vogais, Semivogais e Consoantes

Agora que você já sabe distinguir letras de fonemas e identificar dígrafos e dífonos, é hora de classificar os fonemas propriamente ditos. Os fonemas da língua portuguesa dividem-se em três categorias: vogais, semivogais e consoantes. Compreender essa classificação é fundamental não apenas para a fonologia, mas também para resolver questões de encontros vocálicos (ditongos, tritongos e hiatos), separação silábica e acentuação gráfica.


Vogais: o núcleo da sílaba

As vogais são fonemas sonoros produzidos quando a corrente de ar vinda dos pulmões passa livremente pela boca, sem encontrar nenhum obstáculo. A boca fica aberta ou entreaberta, e as cordas vocais vibram.

A vogal é o elemento mais importante da sílaba — tão importante que, na língua portuguesa, não existe sílaba sem vogal. Você encontrará sílabas formadas apenas por uma vogal (como a primeira sílaba de “a-mor”), mas jamais encontrará uma sílaba formada apenas por consoantes. Essa regra é absoluta e tem consequência direta: cada sílaba possui uma e somente uma vogal. Isso significa que, se você identificar duas vogais em sequência dentro de uma palavra, elas necessariamente pertencem a sílabas diferentes (formando hiato) ou uma delas é, na verdade, uma semivogal (formando ditongo). Voltaremos a esse ponto quando estudarmos os encontros vocálicos.

As letras que representam vogais na escrita são cinco: A, E, I, O, U. Porém, os fonemas vocálicos são mais numerosos, porque essas mesmas cinco letras podem representar sons diferentes. A vogal /a/ em “cama” não tem o mesmo timbre do /a/ em “cãs”; o /e/ em “café” (aberto) não soa igual ao /e/ em “medo” (fechado); o /o/ em “avó” (aberto) não soa igual ao /o/ em “avô” (fechado).

As vogais podem ser classificadas segundo quatro critérios:

Quanto à intensidade — as vogais são tônicas (pronunciadas com mais força, como o /a/ em “ca-“) ou átonas (pronunciadas com menos força, como o /a/ em “ca-fé”). Essa distinção é a base de toda a acentuação gráfica, que estudaremos no Tópico 5 desta aula.

Quanto ao papel das cavidades bucal e nasal — as vogais podem ser orais (quando o ar sai apenas pela boca: /a/, /e/, /i/, /o/, /u/) ou nasais (quando o ar sai pela boca e também pelas fossas nasais: /ã/ como em “lã”, /ẽ/ como em “tenda”, /ĩ/ como em “lindo”, /õ/ como em “onda”, /ũ/ como em “fundo”). A nasalização pode ser indicada pelo til (~) ou pela presença de M/N após a vogal na mesma sílaba — justamente os dígrafos vocálicos que vimos acima.

Quanto à zona de articulação — as vogais podem ser anteriores ou palatais (a língua se eleva em direção ao céu da boca: /e/, /i/), posteriores ou velares (a língua se eleva em direção ao véu palatino: /o/, /u/) ou média (a língua fica baixa, quase em repouso: /a/). Esse critério é mais relevante para concursos de áreas específicas de Letras, mas eventualmente aparece em provas gerais.

Quanto ao timbre — as vogais podem ser abertas (/a/, /ɛ/ como em “café”, /ɔ/ como em “avó”) ou fechadas (/e/ como em “medo”, /o/ como em “avô”, /i/, /u/). A distinção entre vogal aberta e fechada é especialmente importante para compreender a acentuação de ditongos abertos — como veremos, o Acordo Ortográfico eliminou o acento de ditongos abertos /ei/ e /oi/ em paroxítonas, mas o manteve em oxítonas.


Semivogais: o apoio da sílaba

As semivogais são os fonemas /i/ e /u/ quando aparecem apoiados em uma vogal, formando com ela uma única sílaba. A semivogal é sempre pronunciada com menor intensidade que a vogal — ela é o elemento “mais fraco” do par.

Observe a palavra “pai” (uma sílaba só: /pai/). Nela, o fonema /a/ é a vogal — o som principal, pronunciado com mais força. O fonema /i/ é a semivogal — um som mais fraco, que se apoia no /a/. Juntos, vogal e semivogal formam um ditongo.

Da mesma forma, na palavra “meu”, o fonema /e/ é a vogal e o /u/ é a semivogal. Em “quadro”, o /a/ é a vogal e o /u/ que antecede é a semivogal (ditongo crescente).

📌 Regra prática: os fonemas /i/ e /u/ podem ser vogais ou semivogais — tudo depende de sua posição na sílaba. Se forem o som mais forte (o núcleo da sílaba), são vogais. Se estiverem apoiados em outra vogal dentro da mesma sílaba, são semivogais.

Compare:

  • Em “saída” (sa-í-da), o /i/ é vogal — ele é o núcleo da segunda sílaba e recebe acento gráfico.
  • Em “saiba” (sai-ba), o /i/ é semivogal — ele se apoia no /a/ dentro da mesma sílaba.

Essa distinção tem consequência direta na classificação dos encontros vocálicos:

  • Quando duas vogais se encontram em sílabas diferentes, temos um hiato: sa-í-da, ba-ú, cru-el.
  • Quando uma vogal e uma semivogal se encontram na mesma sílaba, temos um ditongo: pai, meu, quadro.
  • Quando uma semivogal, uma vogal e outra semivogal se encontram na mesma sílaba, temos um tritongo: Paraguai (/paragwai/), quão, enxaguei.

⚠️ Observação importante: as letras E e O também podem funcionar como semivogais quando são pronunciadas com valor de /i/ e /u/, respectivamente. Em “mãe” (/mãi/), a letra E tem som de /i/ e funciona como semivogal. Em “mão” (/mãu/), a letra O tem som de /u/ e funciona como semivogal. Da mesma forma, a letra M no final de palavras como “cantam” tem valor de semivogal /u/, formando o ditongo nasal /ãu/. São detalhes que as bancas exploram para verificar se o candidato compreende o sistema fonológico além da superfície gráfica.


Consoantes: os ruídos da fala

As consoantes são fonemas produzidos quando a corrente de ar encontra algum obstáculo em seu caminho — os lábios, os dentes, a língua ou o palato. Esse obstáculo gera um “ruído” característico de cada consoante.

O nome “consoante” revela sua natureza: vem do latim consonare (soar junto). As consoantes sempre “soam junto” com as vogais — elas dependem de uma vogal para formar sílaba. Enquanto a vogal pode, sozinha, constituir uma sílaba (como em “a-mor”), a consoante nunca pode.

O alfabeto brasileiro possui 19 letras consonantais: B, C, D, F, G, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W, X, Z. A letra H merece atenção especial: embora seja classificada como consoante na maioria das gramáticas tradicionais, ela não possui som próprio na língua portuguesa. Sua função é participar de dígrafos (CH, LH, NH) ou aparecer no início de certas palavras por razões etimológicas (herança do latim), sem representar fonema algum. Por isso, quando a letra H aparece no início de uma palavra — como em “hora”, “homem”, “hoje” —, ela é uma letra sem som, e o número de fonemas será menor que o número de letras.


1.3. Inclusão das Letras K, W e Y (Acordo Ortográfico)

Até a entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, o alfabeto brasileiro era composto por 23 letras. As letras K, W e Y haviam sido excluídas do alfabeto oficial pelo Formulário Ortográfico de 1943, embora continuassem sendo utilizadas em situações específicas, como em abreviaturas (kg, km), nomes próprios (Yasmin, Wilson, Kafka) e palavras de origem estrangeira.

Com o Acordo Ortográfico, assinado em 1990, ratificado pelo Brasil em 2008 e tornado obrigatório em 1º de janeiro de 2016, essas três letras foram oficialmente reincorporadas ao alfabeto. Assim, o alfabeto da língua portuguesa passou a contar com 26 letras, dispostas na seguinte ordem:

A – B – C – D – E – F – G – H – I – J – K – L – M – N – O – P – Q – R – S – T – U – V – W – X – Y – Z

Essa mudança, no entanto, não significa que palavras como “quilo” e “quilômetro” passaram a ser escritas como “kilo” e “kilômetro”. A incorporação das letras K, W e Y ao alfabeto apenas oficializou algo que já era uma realidade no uso cotidiano da língua — seu emprego em nomes próprios, siglas, abreviaturas e termos técnicos de origem estrangeira.

Imagine a seguinte situação: um servidor da Receita Federal precisa registrar o nome de um contribuinte chamado “Kayque Werneck”. Antes do Acordo, as letras K, W e Y sequer faziam parte do alfabeto oficial, embora fossem usadas em nomes próprios. Com a incorporação, essa inconsistência foi eliminada. Do ponto de vista do cidadão, o impacto é semelhante: documentos como certidões de nascimento, passaportes e registros civis agora reconhecem oficialmente letras que, antes, tinham um status ambíguo no sistema ortográfico.

Para os concursos, o essencial é saber que:

O alfabeto oficial tem 26 letras — e não mais 23. As letras K, W e Y são utilizadas principalmente em nomes próprios de origem estrangeira e seus derivados (Kafka → kafkiano, Wagner → wagneriano, Byron → byroniano), em siglas e abreviaturas de uso internacional (kg, km, kW, www), e em palavras de origem estrangeira incorporadas ao uso corrente (por exemplo, “show”, “marketing”, “playground”). A pronúncia dessas letras segue a convenção internacional: K é chamado de “cá”, W de “dáblio” e Y de “ípsilon”.

📌 Detalhe que as bancas exploram: embora K, W e Y façam parte do alfabeto, elas não substituem letras tradicionais em palavras já consolidadas no vocabulário português. Escreve-se “quilo” (e não “kilo”), “quilômetro” (e não “kilômetro”), “iogurte” (e não “yogurte”). A incorporação ampliou o alfabeto, mas não alterou a grafia das palavras existentes.


🧠 Momento de Reflexão e Consolidação

Antes de avançar, vamos repassar os conceitos centrais deste tópico por meio de perguntas dirigidas. Leia cada pergunta, tente responder mentalmente (ou, melhor ainda, por escrito) e depois confira a explanação.

Pergunta 1: A palavra “nascimento” tem 10 letras. Quantos fonemas ela possui?

Vamos aplicar o método. Partimos de 10 (placar empatado entre letras e fonemas). A palavra começa com N, que tem som próprio — nenhum ajuste. Verificamos se há dígrafos: o grupo SC forma um dígrafo consonantal (som de /s/) — subtraímos 1 fonema (placar: 9). O grupo EN forma um dígrafo vocálico (som de /ẽ/) — subtraímos 1 fonema (placar: 8). Há dífono? Não. Resultado: 10 letras e 8 fonemas.

Pergunta 2: Na palavra “guerra”, o grupo GU é dígrafo. E na palavra “linguiça”?

Em “guerra”, o U não é pronunciado — dizemos /gera/, não /guera/. Logo, GU é dígrafo: duas letras, um som. Em “linguiça”, o U é pronunciado — dizemos /lingwisa/. Logo, não há dígrafo: o G e o U representam fonemas distintos.

Pergunta 3: A letra X em “exame” é um dífono?

Não. Em “exame”, a letra X é pronunciada com som de /z/ (dizemos /ezami/). O dífono ocorre somente quando o X tem som de /ks/, como em “táxi” ou “fixo”.

Pergunta 4: Quantas letras e quantos fonemas tem a palavra “aquilo”?

Letras: A-Q-U-I-L-O = 6 letras. O grupo QU antes de I é dígrafo (o U não é pronunciado — dizemos /akilo/, não /akwilo/). Subtraímos 1 fonema. Resultado: 6 letras e 5 fonemas.


✏️ Atividade Prática — Estudo Ativo

Queridos alunos e alunas, peguem a caneta e um papel. Vamos praticar o que aprendemos. Realizem os exercícios abaixo com calma, escrevam suas respostas e depois confiram com o gabarito comentado ao final.


Nível 1 — Conhecimento/Recordar

1. Complete a lacuna: “__________ é a menor unidade sonora capaz de diferenciar o significado entre palavras.”

2. Complete: “Na língua portuguesa, toda sílaba possui obrigatoriamente uma e somente uma __________.”

3. Após o Acordo Ortográfico, o alfabeto brasileiro passou a conter ______ letras, com a inclusão das letras ______, ______ e ______.

4. Complete: “Quando duas letras representam um único fonema, temos um __________. Quando uma letra representa dois fonemas, temos um __________.”

5. O dígrafo formado por CH é classificado como __________ (consonantal/vocálico) e é __________ (separável/inseparável) na separação silábica.

6. Cite três exemplos de dígrafos consonantais separáveis (que ficam em sílabas diferentes na separação silábica).

7. Complete: “Os fonemas /i/ e /u/, quando apoiados em uma vogal e formando com ela uma mesma sílaba, são chamados de __________.”

8. A letra H, no início de palavras como “hora” e “homem”, representa __________ fonema(s).

9. As letras K, W e Y são utilizadas em palavras da língua portuguesa principalmente em três contextos: __________, __________ e __________.


Nível 2 — Compreensão/Entender

10. Explique, com suas próprias palavras, por que a palavra “chuva” tem mais letras do que fonemas.

11. Um colega afirma que a palavra “aquário” contém o dígrafo QU. Essa afirmação está correta? Justifique.

12. Por que é correto afirmar que a letra H é uma letra, mas não um fonema, quando aparece no início de palavras?

13. Explique a diferença entre o papel do I na palavra “saída” e na palavra “saiba”.

14. Um candidato conta 5 letras na palavra “fixar” e conclui que ela possui 5 fonemas. Essa conclusão está correta? Explique o raciocínio.

15. Em que sentido a inclusão das letras K, W e Y pelo Acordo Ortográfico NÃO alterou a escrita das palavras já existentes no vocabulário português?


Nível 3 — Aplicação/Aplicar

16. Determine o número de letras e de fonemas das seguintes palavras: (a) exceção; (b) passarinho; (c) oxigênio; (d) quente; (e) cachorro.

17. Um servidor público precisa elaborar uma lista alfabética de contribuintes para um sistema de cadastro. Entre os nomes recebidos estão: “Yasmin”, “Carlos”, “Wladimir”, “Bruna” e “Kelly”. Organize esses nomes em ordem alfabética, considerando o alfabeto oficial vigente após o Acordo Ortográfico.

18. Classifique os fonemas destacados em cada palavra como vogal, semivogal ou consoante: (a) o “i” em “rei”; (b) o “u” em “cru-el”; (c) o “a” em “pai”; (d) o “e” em “mãe”.


Nível 4 — Análise/Analisar

19. Considere a seguinte situação hipotética: em uma prova de concurso, a banca apresenta a palavra “enxaguei” e pergunta se ela contém dígrafo, dífono ou ambos. Analise a palavra detalhadamente, identifique todos os fenômenos fonológicos presentes e justifique sua resposta.


📝 Gabarito Comentado

1. Fonema.

2. Vogal.

3. 26 letras; K, W e Y.

4. Dígrafo; dífono.

5. Consonantal; inseparável (cha-ve, e não c-have).

6. RR, SS e SC (ou SÇ, XC). Exemplos: car-ro, pas-sei, nas-cer.

7. Semivogais.

8. Nenhum (zero). O H inicial não representa fonema na língua portuguesa.

9. Nomes próprios de origem estrangeira e seus derivados; siglas e abreviaturas de uso internacional; palavras de origem estrangeira incorporadas ao uso corrente.

10. A palavra “chuva” tem 5 letras (C-H-U-V-A), mas apenas 4 fonemas (/x/, /u/, /v/, /a/). Isso ocorre porque as letras C e H formam um dígrafo consonantal — juntas, representam um único som, o som de /x/ (como em “xícara”). Portanto, embora haja 5 letras na escrita, há somente 4 sons na pronúncia.

11. A afirmação está incorreta. Na palavra “aquário”, o U é pronunciado — dizemos /akwário/. Quando o U após Q é pronunciado, não há dígrafo: as letras Q e U representam dois fonemas distintos (/k/ e /w/). O dígrafo QU só ocorre quando o U é mudo, como em “queijo” (/keijo/) ou “quilo” (/kilo/).

12. A letra H é um símbolo gráfico que existe na escrita, mas, quando aparece no início de palavras, não corresponde a nenhum som na pronúncia. Em “hora”, pronunciamos /ora/; em “homem”, pronunciamos /omẽ/. A letra está ali por tradição etimológica (herança do latim), mas não representa nenhum fonema. Por isso, a palavra “hora” tem 4 letras, mas apenas 3 fonemas.

13. Em “saída” (sa-í-da), o I é a vogal da segunda sílaba — é o som mais forte, o núcleo da sílaba, e por isso recebe acento gráfico. Já em “saiba” (sai-ba), o I está na mesma sílaba que o A, apoiado nele. O som mais forte é o /a/ (a vogal), e o /i/ é o som mais fraco (a semivogal). Juntos, formam um ditongo decrescente.

14. A conclusão está incorreta. A palavra “fixar” tem 5 letras (F-I-X-A-R), mas 6 fonemas (/f/, /i/, /k/, /s/, /a/, /r/). Isso ocorre porque a letra X, nessa palavra, é pronunciada como /ks/ — ou seja, uma única letra representa dois sons. Esse fenômeno é chamado de dífono, e faz com que o número de fonemas supere o número de letras.

15. A inclusão das letras K, W e Y ao alfabeto oficial apenas formalizou o que já era prática na escrita de nomes próprios, siglas e empréstimos linguísticos. Ela não substituiu letras em palavras já existentes: continuamos escrevendo “quilo” (e não “kilo”), “quilômetro” (e não “kilômetro”), “iogurte” (e não “yogurte”). As novas letras se somaram ao alfabeto, mas não alteraram a ortografia do vocabulário consolidado.

16. (a) “exceção”: 7 letras, 6 fonemas. O grupo XC é dígrafo (som de /s/) — subtraímos 1. (b) “passarinho”: 10 letras, 9 fonemas. O grupo SS é dígrafo (som de /s/) — subtraímos 1. (c) “oxigênio”: 8 letras, 9 fonemas. A letra X tem som de /ks/ (dífono) — acrescentamos 1. (d) “quente”: 6 letras, 5 fonemas. O grupo QU é dígrafo (U mudo) — subtraímos 1. Observação: o grupo EN também forma dígrafo vocálico (som de /ẽ/), o que levaria a 4 fonemas. A resposta mais completa, portanto, é 6 letras e 4 fonemas (dois dígrafos: QU e EN). (e) “cachorro”: 8 letras, 6 fonemas. O grupo CH é dígrafo (/x/) e o grupo RR é dígrafo (/R/) — subtraímos 2.

17. Ordem alfabética: Bruna, Carlos, Kelly, Wladimir, Yasmin. Observe que K vem entre J e L, W vem entre V e X, e Y vem entre X e Z.

18. (a) O “i” em “rei” é semivogal — está apoiado na vogal /e/ dentro da mesma sílaba, formando ditongo decrescente. (b) O “u” em “cru-el” é vogal — é o núcleo da primeira sílaba (“cru”), pronunciado com força própria. (c) O “a” em “pai” é vogal — é o som principal da sílaba, pronunciado com mais intensidade que o /i/. (d) O “e” em “mãe” é semivogal — tem som de /i/ e está apoiado na vogal nasal /ã/, formando ditongo nasal decrescente.

19. A palavra “enxaguei” contém os seguintes fenômenos:

  • Dígrafo vocálico: o grupo EN (en-xa-guei) forma o som nasal /ẽ/ — duas letras, um fonema.
  • Ausência de dígrafo em GU: nesta palavra, o U é pronunciado (dizemos /ẽxagwei/). Portanto, GU não é dígrafo aqui — o G e o U representam fonemas distintos.
  • Ditongo decrescente: a sequência EI no final (guei) forma um ditongo decrescente, em que /e/ é a vogal e /i/ é a semivogal.
  • Ausência de dífono: a letra X em “enxaguei” tem som de /x/ (como em “xícara”), representando um único fonema. Não há dífono (que exigiria som de /ks/). Portanto, a palavra contém dígrafo vocálico (EN), mas não contém dífono.

Você concluiu o estudo sobre O Alfabeto da Língua Portuguesa. No próximo tópico, avançaremos para o Emprego de Letras, onde estudaremos as regras que governam o uso correto de letras como S/Z, X/CH, G/J, entre outras — um dos assuntos mais cobrados em provas de concursos. Continue firme nos estudos!


📝 LÍNGUA PORTUGUESA — Resolução de Questões de Concursos Aula 01 — Ortografia Oficial | Tópico 1: O Alfabeto da Língua Portuguesa Parte 1 — Questões 1 a 15


Bem-vindo ao Leão Concursos. Esta é a sua aula de resolução de questões sobre Fonologia — o conteúdo que estudamos no Tópico 1 da Aula 01. Aqui, você vai aplicar tudo o que aprendeu sobre letras, fonemas, dígrafos, dífonos, encontros vocálicos e separação silábica a questões reais de concursos públicos.

Como aproveitar ao máximo esta aula:

  1. Leia o enunciado com atenção e tente responder antes de ver a resolução.
  2. Utilize os pontos separadores (∙) como espaço de reflexão — cubra a tela ou pause a leitura.
  3. Ao conferir a resolução, identifique onde você errou ou acertou e por quê.
  4. Anote os conceitos que geraram dúvida para revisá-los no material teórico.
  5. Ao final, confira o gabarito rápido e os pontos de atenção.

💡 Dica pedagógica: A fonologia é um dos assuntos mais cobrados pelo Cebraspe em formato certo/errado. A maioria das questões exige que você conte letras e fonemas com precisão, identifique dígrafos e dífonos, ou analise a separação silábica. Domine o método passo a passo que aprendemos no Tópico 1 e essas questões se tornarão pontos garantidos na sua prova.


Questão 01

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Professor — InoversaSul | Ano: 2025 Assunto: Fonemas, Dígrafos

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto 9A1, julgue o item seguinte.

Nos vocábulos “que”, “processo” e “adaptação”, identificam-se grupos de duas letras que representam um só fonema.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 01

Para resolver esta questão, precisamos verificar se todos os três vocábulos contêm dígrafo (grupo de duas letras que representam um único fonema).

Analisemos cada palavra:

“que” — O grupo QU é dígrafo? Sim. Antes de E, o U não é pronunciado (dizemos /ke/, não /kue/). Portanto, QU é dígrafo consonantal. ✅

“processo” — Há dígrafo? Sim. O grupo SS representa um único fonema (/s/). São duas letras para um som. ✅

“adaptação” — Há dígrafo? Aqui está a armadilha. Vamos analisar: A-D-A-P-T-A-Ç-Ã-O. Não há SS, RR, CH, LH, NH, SC, XC, GU ou QU. E quanto ao grupo ÃO? O til (~) não é uma letra — ele é um sinal diacrítico que indica nasalização. Logo, ÃO não constitui dígrafo. A palavra não apresenta grupo de duas letras representando um só fonema. ❌

Como a afirmativa diz que nos três vocábulos há dígrafo, e em “adaptação” não há, o item está errado.

⚠️ Atenção: O Cebraspe adora incluir uma palavra correta junto com outra incorreta para testar se o candidato analisa todas. Nunca se apresse — verifique cada palavra individualmente.

Gabarito do professor: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 02

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Professor de Língua Portuguesa — InoversaSul | Ano: 2025 Assunto: Letras e Fonemas

No que se refere à pontuação e ortografia no texto 19A1, bem como a aspectos fonológicos de vocábulos nele empregados, julgue o item que se segue.

Identificam-se no vocábulo “lexicais” oito letras e oito fonemas.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 02

Vamos aplicar o método passo a passo.

“lexicais” — Letras: L-E-X-I-C-A-I-S = 8 letras.

Agora, os fonemas. A letra X em “lexicais” é pronunciada como /s/ (dizemos /lesikais/). Nesse caso, o X representa um único fonema — não há dífono.

Mas atenção: o grupo AI em “cais” forma um ditongo decrescente (/ai/), com a vogal /a/ e a semivogal /i/. Isso não altera a contagem de fonemas — cada letra continua representando um fonema.

Contagem dos fonemas: /l/ + /e/ + /s/ + /i/ + /k/ + /a/ + /i/ + /s/ = 8 fonemas.

Espere — releia: a letra X representa o fonema /s/, e a letra C representa o fonema /k/. Não há dígrafo (XC só é dígrafo quando as duas letras juntas representam um único som /s/, como em “exceção”). Aqui, X e C estão em sílabas diferentes (le-xi-cais), e cada um representa um fonema distinto.

Resultado: 8 letras e 8 fonemas? Aparentemente sim. Porém, a banca considerou o item errado.

A razão é que a letra X em “lexicais” pode ser interpretada como dífono (/ks/), dependendo da pronúncia. Se X = /ks/, então temos 9 fonemas (e não 8). A pronúncia /leksikais/ é a que prevalece na análise fonológica padrão para esta palavra — o X tem valor de /ks/.

Com essa interpretação: L-E-X(ks)-I-C-A-I-S = 8 letras e 9 fonemas.

⚠️ Atenção: A palavra “lexicais” deriva do grego lexikós. O X nessa família de palavras tem valor de /ks/ (dífono), assim como em “léxico”, “lexicógrafo” etc. Quando a banca afirma que letras e fonemas coincidem e há dífono, o item estará errado.

Gabarito do professor: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 03

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Professor de Língua Portuguesa — InoversaSul | Ano: 2025 Assunto: Letras e Fonemas, Dígrafos Vocálicos

No que se refere à pontuação e ortografia no texto 19A1, bem como a aspectos fonológicos de vocábulos nele empregados, julgue o item que se segue.

Em cada um dos seguintes vocábulos, o número de letras coincide com o de fonemas: “manuais”; “falantes”; “cognitivo”.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 03

Precisamos verificar se, em cada um dos três vocábulos, o número de letras é igual ao de fonemas.

“manuais” — Letras: M-A-N-U-A-I-S = 7 letras. Fonemas: /m/ + /a/ + /n/ + /u/ + /a/ + /i/ + /s/ = 7 fonemas. Aqui, o grupo AN não forma dígrafo vocálico, pois o N está em sílaba diferente do A (ma-nu-ais). O N pertence à sílaba “nu”. Portanto, 7 letras e 7 fonemas. ✅

“falantes” — Letras: F-A-L-A-N-T-E-S = 8 letras. Fonemas: o grupo AN forma dígrafo vocálico (fa-lan-tes → /ã/ é um único fonema nasal). Subtraímos 1: 8 letras e 7 fonemas. ❌ Não coincidem.

“cognitivo” — Letras: C-O-G-N-I-T-I-V-O = 9 letras e 9 fonemas (cada letra representa um fonema distinto; GN é encontro consonantal, não dígrafo). ✅

Como a afirmativa exige que em cada um dos vocábulos o número coincida, e em “falantes” não coincide (há dígrafo vocálico AN), o item está errado.

💡 Dica: Sempre que houver vogal + M ou N na mesma sílaba, suspeite de dígrafo vocálico. Em “falantes” (fa-lan-tes), o AN está na mesma sílaba — dígrafo vocálico confirmado.

Gabarito do professor: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 04

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Professor de Língua Portuguesa — InoversaSul | Ano: 2025 Assunto: Letras e Fonemas, H mudo

No que se refere à pontuação e ortografia no texto 19A1, bem como a aspectos fonológicos de vocábulos nele empregados, julgue o item que se segue.

O vocábulo “histórico” tem nove letras e oito fonemas.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 04

“histórico” — Letras: H-I-S-T-Ó-R-I-C-O = 9 letras.

Aplicando o método:

  • Passo 1: Placar inicial = 9 fonemas.
  • Passo 2: A palavra começa com H. O H inicial não tem som. Subtraímos 1 → placar = 8 fonemas.
  • Passo 3: Há dígrafos? Não há SS, RR, CH, LH, NH, SC, XC, GU, QU nem dígrafos vocálicos (não há vogal + M/N na mesma sílaba).
  • Passo 4: Há dífono? Não.

Resultado: 9 letras e 8 fonemas. O item está certo.

💡 Dica: Questões com palavras iniciadas por H são clássicas. Lembre-se: o H inicial é uma letra sem fonema — sempre subtraia 1 do placar.

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 05

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Professor de Língua Portuguesa — InoversaSul | Ano: 2025 Assunto: Separação Silábica, Ditongos

Julgue o item a seguir, em relação à separação silábica, à translineação e à acentuação tônica e gráfica de vocábulos empregados no texto 19A1.

Aos vocábulos “língua”, “manuais” e “mais”, aplica-se a regra de separação silábica segundo a qual não se separam letras que representam ditongos.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 05

A regra invocada é: ditongos não se separam na divisão silábica. Precisamos verificar se as três palavras contêm ditongo.

“língua” — Separação: lín-gua. O grupo UA forma ditongo crescente (semivogal /u/ + vogal /a/). Não se separa. ✅

“manuais” — Separação: ma-nu-ais. O grupo AI forma ditongo decrescente (vogal /a/ + semivogal /i/). Não se separa. ✅

“mais” — Separação: mais (monossílabo). O grupo AI forma ditongo decrescente. Não se separa. ✅

Em todos os três vocábulos, há ditongo que permanece unido na mesma sílaba, em conformidade com a regra citada.

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 06

Banca: QUADRIX | Cargo: Auxiliar Administrativo — CRM MS | Ano: 2025 Assunto: Separação Silábica, Dígrafo NH

Com relação aos aspectos linguísticos e gramaticais do texto, julgue o item seguinte.

No quarto parágrafo, a separação gráfica da palavra “aninham” pode ser feita da seguinte forma: a‑ni‑nham.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 06

A palavra “aninham” contém o dígrafo consonantal NH. Como vimos no Tópico 1, o NH é um dígrafo inseparável — ele nunca se divide na separação silábica.

Separação correta: a-ni-nham.

O grupo NH permanece unido na terceira sílaba (“nham”), respeitando a regra dos dígrafos inseparáveis (CH, LH, NH, GU, QU).

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 07

Banca: QUADRIX | Cargo: Professor Substituto de Língua Portuguesa — SEE DF | Ano: 2025 Assunto: Encontros Consonantais

No que diz respeito aos aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir.

A palavra interpretativismo, presente na oração “O positivismo e o interpretativismo são as duas principais tradições no desenvolvimento da pesquisa social”, caracteriza‑se por apresentar três encontros consonantais, sendo dois imperfeitos e um perfeito.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 07

Primeiro, vamos relembrar os conceitos:

  • Encontro consonantal perfeito (ou próprio/inseparável): duas consoantes na mesma sílaba, cada uma com seu som. Ex.: prato, trato, crise.
  • Encontro consonantal imperfeito (ou impróprio/separável): duas consoantes em sílabas diferentes, cada uma com seu som. Ex.: advogado, ritmo, apto.

Agora, analisemos “interpretativismo”: in-ter-pre-ta-ti-vis-mo.

Identificando os encontros consonantais:

  1. NT (in-ter) → N e T estão em sílabas diferentes (in / ter). Porém, atenção: o grupo IN é dígrafo vocálico (nasalização), então o N não funciona como consoante independente aqui. Logo, não é encontro consonantal.
  2. RP (terpre) → R e P estão em sílabas diferentes. Encontro consonantal imperfeito. ✅
  3. PR (pre) → P e R estão na mesma sílaba. Encontro consonantal perfeito. ✅
  4. TV (ta-ti-vis) → Não há encontro consonantal entre T e V aqui, pois são separados por vogais em sílabas distintas.
  5. SM (vismo) → S e M estão em sílabas diferentes. Encontro consonantal imperfeito. ✅

Resultado: dois encontros consonantais imperfeitos (RP e SM) e um perfeito (PR) = três encontros consonantais.

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 08

Banca: QUADRIX | Cargo: Professor Substituto de Língua Portuguesa — SEE DF | Ano: 2025 Assunto: Dígrafos

Com base nos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item seguinte.

Tanto na palavra “Farroupilha”, presente no trecho “Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português”, como na palavra “necessariamente”, presente no trecho “Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo”, identificam‑se dois dígrafos.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 08

Vamos identificar os dígrafos em cada palavra.

“Farroupilha” — Far-rou-pi-lha.

  • RR: dígrafo consonantal (duas letras, um fonema /R/). ✅
  • LH: dígrafo consonantal (duas letras, um fonema /λ/). ✅
  • Total: 2 dígrafos.

“necessariamente” — ne-ces-sa-ri-a-men-te.

  • SS: dígrafo consonantal (duas letras, um fonema /s/). ✅
  • EN em “men”: vogal + N na mesma sílaba → dígrafo vocálico (/ẽ/). ✅
  • Total: 2 dígrafos.

Ambas as palavras apresentam exatamente dois dígrafos cada.

💡 Dica: Não se esqueça dos dígrafos vocálicos! Muitos candidatos identificam apenas os consonantais (SS, RR, CH, LH, NH) e esquecem de contar o dígrafo vocálico (vogal + M/N na mesma sílaba).

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 09

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: PEB — Pref. Cachoeiro de Itapemirim | Ano: 2024 Assunto: Dífono, Letras e Fonemas

Julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos do texto precedente.

Na palavra “complexas” (último período do segundo parágrafo), há o mesmo número de letras e de fonemas.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 09

“complexas” — Letras: C-O-M-P-L-E-X-A-S = 9 letras.

Agora os fonemas. A letra X em “complexas” é pronunciada como /ks/ — temos aqui um dífono. Portanto, acrescentamos 1 fonema ao placar.

Mas atenção: o grupo OM (com-) forma dígrafo vocálico? Vamos ver: com-ple-xas → o M pertence à mesma sílaba que o O (com-). Logo, OM é dígrafo vocálico (/õ/). Subtraímos 1 fonema.

Balanço: começamos com 9; somamos 1 (dífono X = /ks/); subtraímos 1 (dígrafo vocálico OM). Resultado: 9 fonemas.

9 letras e 9 fonemas — o número coincide. O item está certo.

⚠️ Atenção: Nesta palavra, o dífono e o dígrafo vocálico se “cancelam” na contagem. Esse tipo de compensação é uma armadilha frequente. Analise sempre todos os fenômenos antes de concluir.

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 10

Banca: IGEDUC | Cargo: Professor — Pref. Garanhuns | Ano: 2024 Assunto: Vogal como núcleo da sílaba

Julgue o item subsequente.

Toda sílaba possui um núcleo ou ápice de sonoridade, que, em português, é necessariamente uma vogal. Assim, dentre as classificações da sílaba, podemos chamá-la de incomplexas, quando apresentam apenas uma consoante, como ocorre em “vá” e “cá”.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 10

A primeira parte da afirmação é inquestionável: em português, toda sílaba tem necessariamente uma vogal como núcleo. Essa é uma regra absoluta que estudamos no Tópico 1.

A segunda parte classifica as sílabas de “vá” e “cá” como incomplexas — ou seja, sílabas formadas por apenas uma consoante acompanhada de uma vogal (padrão CV: consoante + vogal). Essa classificação é aceita pela fonologia e corresponde ao padrão silábico mais simples e frequente do português.

O item está certo.

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 11

Banca: IGEDUC | Cargo: Professor — Pref. Garanhuns | Ano: 2024 Assunto: Letras e Fonemas — Regra geral

Julgue o item subsequente.

Considerando que fonema é a representação sonora e a letra é a representação gráfica do fonema, existindo para exprimir os sons, em uma palavra, o número de letras e o número de fonemas sempre são iguais.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 11

Essa é uma questão direta que testa o conceito fundamental do Tópico 1. A afirmação diz que letras e fonemas sempre são iguais em número. Isso é falso.

Como estudamos, existem três situações possíveis: o número de letras pode ser igual, maior ou menor que o número de fonemas. Palavras com dígrafos (como “chuva” — 5 letras, 4 fonemas) ou com H inicial (como “hora” — 4 letras, 3 fonemas) têm mais letras do que fonemas. Palavras com dífono (como “táxi” — 4 letras, 5 fonemas) têm mais fonemas do que letras.

A palavra “sempre” no enunciado torna a afirmação absoluta — e, portanto, incorreta.

Gabarito do professor: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 12

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Professor — Pref. Recife | Ano: 2023 Assunto: Letras e Fonemas, Dígrafo Vocálico

Em relação a aspectos fonológicos e gráficos de vocábulos empregados no texto 8A1-I, julgue o próximo item.

Na palavra quantidade, há dez letras e nove fonemas.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 12

“quantidade” — Letras: Q-U-A-N-T-I-D-A-D-E = 10 letras.

Aplicando o método:

  • Passo 1: Placar inicial = 10.
  • Passo 2: H inicial? Não.
  • Passo 3: Dígrafos?
    • QU antes de A: o U é pronunciado nesta palavra? Em “quantidade”, pronunciamos /kwãtidade/ — o U é pronunciado. Logo, QU não é dígrafo aqui. Cada letra mantém seu fonema.
    • AN (quan-ti): o grupo AN está na mesma sílaba (quan-). Portanto, AN forma dígrafo vocálico (/ã/). Subtraímos 1 → placar = 9.
  • Passo 4: Dífono? Não.

Resultado: 10 letras e 9 fonemas. O item está certo.

⚠️ Atenção: Nesta palavra, o QU não é dígrafo porque o U é pronunciado. Mas o AN é dígrafo vocálico. Muitos candidatos fazem o inverso — consideram QU como dígrafo e esquecem do AN. Cuidado!

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 13

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Professor — Pref. Recife | Ano: 2023 Assunto: Separação Silábica, Ditongo

Em relação a aspectos fonológicos e gráficos de vocábulos empregados no texto 8A1-I, julgue o próximo item.

De acordo com a ortografia oficial em vigor, seria correta a translineação da palavra mais (no último parágrafo do texto), escrevendo-se ma- ao final de uma linha e is no início da linha seguinte.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 13

A palavra “mais” é um monossílabo — possui apenas uma sílaba (mais). O grupo AI forma um ditongo decrescente, que não se separa.

Como a palavra tem uma única sílaba, ela não pode ser translineada (dividida entre duas linhas). A separação “ma-is” pressupõe que a palavra teria duas sílabas, o que não é verdade.

Regra: palavras monossílabas nunca podem ser divididas na translineação.

Gabarito do professor: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 14

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Professor — Pref. Recife | Ano: 2023 Assunto: Dígrafos Vocálicos e Consonantais

Julgue o item a seguir, referentes às estruturas linguísticas do texto 8A2-I.

Os vocábulos “pontes” e “condições” apresentam dígrafos vocálicos, e os vocábulos “pessoas” e “possível” apresentam dígrafos consonantais.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 14

Analisemos cada palavra:

“pontes” — pon-tes. O grupo ON está na mesma sílaba → dígrafo vocálico (/õ/). ✅

“condições” — con-di-ções. O grupo ON está na mesma sílaba → dígrafo vocálico (/õ/). ✅

“pessoas” — pes-so-as. O grupo SS → dígrafo consonantal (/s/). ✅

“possível” — pos-sí-vel. O grupo SS → dígrafo consonantal (/s/). ✅

Todas as identificações estão corretas. O item está certo.

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 15

Banca: IDECAN | Cargo: Médico — UFBA | Ano: 2022 Assunto: Letras e Fonemas, Dígrafo Vocálico

Com relação aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir:

Em “Independência”, há dez fonemas.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 15

“Independência” — Letras: I-N-D-E-P-E-N-D-Ê-N-C-I-A = 13 letras.

Aplicando o método:

  • Placar inicial: 13.
  • H inicial? Não.
  • Dígrafos:
    • IN (In-de) → dígrafo vocálico (/ĩ/). Subtraímos 1 → placar = 12.
    • EN (pen) → dígrafo vocálico (/ẽ/). Subtraímos 1 → placar = 11.
    • ÊN (dên) → dígrafo vocálico (/ẽ/). Subtraímos 1 → placar = 10.
  • Dífono? Não.

Separação silábica: In-de-pen-dên-ci-a.

Resultado: 13 letras e 10 fonemas. O item está certo.

💡 Dica: “Independência” é uma palavra rica em dígrafos vocálicos — são três! (IN, EN, ÊN). Palavras longas com múltiplos dígrafos são as preferidas das bancas justamente porque exigem atenção redobrada na contagem.

Gabarito do professor: CERTOGabarito da banca: CERTO


📋 Gabarito Rápido — Parte 1 (Questões 1 a 15)

QuestãoGabarito
01ERRADO
02ERRADO
03ERRADO
04CERTO
05CERTO
06CERTO
07CERTO
08CERTO
09CERTO
10CERTO
11ERRADO
12CERTO
13ERRADO
14CERTO
15CERTO

🎯 Principais Pontos de Atenção desta Aula

Após resolver essas 15 questões, registre os padrões mais importantes que emergiram:

1. O H inicial sempre reduz a contagem de fonemas. Questões com palavras como “histórico”, “hábitos”, “hora” exploram essa regra simples, mas que muitos candidatos esquecem sob pressão.

2. Os dígrafos vocálicos são os “esquecidos” da fonologia. Os dígrafos consonantais (SS, RR, CH, LH, NH) são mais conhecidos, mas os vocálicos (vogal + M/N na mesma sílaba) aparecem com enorme frequência. Palavras como “falantes”, “quantidade”, “Independência”, “pontes” e “condições” contêm dígrafos vocálicos que alteram a contagem de fonemas.

3. O dífono do X pode “compensar” um dígrafo na mesma palavra. Em “complexas”, o dífono X (/ks/) acrescenta 1 fonema e o dígrafo vocálico OM subtrai 1, resultando em empate entre letras e fonemas. Analise todos os fenômenos antes de concluir.

4. QU e GU só são dígrafos quando o U é mudo. Em “quantidade” e “aquário”, o U é pronunciado — portanto, não há dígrafo. Em “que” e “quilo”, o U é mudo — dígrafo confirmado. Essa distinção é uma das armadilhas mais clássicas das bancas.

5. Monossílabos não se dividem na translineação. Se a palavra tem uma sílaba só (como “mais”), ela não pode ser separada entre linhas, mesmo que contenha ditongo.

6. Leia TODAS as palavras do enunciado. O Cebraspe frequentemente inclui 2 ou 3 palavras num mesmo item. Basta uma estar errada para o item ser ERRADO. Não se apresse.


Você concluiu a Parte 1 da resolução de questões do Tópico 1. Continue firme nos estudos!


Bem-vindo ao Leão Concursos. Preparamos este tópico para guiar você, passo a passo, no domínio do emprego correto das letras na língua portuguesa. Ao longo deste estudo, vamos construir juntos um repertório sólido de regras ortográficas aplicáveis à sua preparação para concursos públicos de todas as áreas.

🎯 Objetivo deste tópico: Ao final, você será capaz de identificar a grafia correta de palavras que envolvem as principais dúvidas ortográficas — S ou Z, X ou CH, G ou J, E ou I, O ou U, Ç ou SS, H inicial, e os dígrafos SC, SÇ e XC —, compreendendo a lógica por trás de cada regra e aplicando-a com segurança nas provas.


Imagine a seguinte cena: um analista administrativo de um tribunal precisa redigir um relatório sobre a concessão de licenças ambientais. Na hora de escrever, ele hesita: é “concessão” (com SS) ou “conceção” (com Ç)? É “licença” (com Ç) ou “licensa” (com S)? “Analisar” ou “analizar”? “Assessoria” ou “acessoria”? Cada uma dessas dúvidas envolve o emprego correto de letras que representam o mesmo som — e um erro de grafia num documento oficial não é apenas deselegante: pode comprometer a credibilidade do texto e, em provas de concursos, custa pontos preciosos.

Do lado do cidadão, a situação é semelhante. Quem preenche um requerimento administrativo pode se perguntar se escreve “pretensão” ou “pretenção”, “pesquisa” ou “pesquiza”, “enxergar” ou “enchergar”. Essas hesitações não são sinal de ignorância — são consequência de uma característica estrutural da língua portuguesa: um mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra, e uma mesma letra pode representar mais de um fonema. O som /s/, por exemplo, pode ser grafado com S, SS, Ç, C (antes de E ou I), SC, SÇ, XC ou até X. O som /z/ pode aparecer como Z ou como S entre vogais. O som /x/ (como em “xícara”) pode ser escrito com X ou com CH.

Essa multiplicidade é a causa de grande parte dos erros ortográficos — e, por consequência, das questões de prova. Ao longo deste tópico, vamos organizar essas regras de forma clara e aplicável, com exemplos do cotidiano profissional e da vida do cidadão. A estratégia não é decorar listas intermináveis de palavras, mas compreender os padrões que governam a ortografia. Quem entende o padrão erra menos, esquece menos e resolve questões com mais rapidez.

Uma observação importante antes de começarmos: a ortografia da língua portuguesa é, em grande medida, fruto de convenção etimológica — ou seja, a grafia das palavras reflete sua origem histórica (latim, grego, francês, tupi, árabe, africano). Isso significa que nem sempre haverá uma “lógica fonética” para justificar por que se escreve “exceção” com XC e não com SS. Em muitos casos, a origem da palavra é que determina a grafia. Por isso, além das regras que veremos a seguir, a leitura constante e a prática de exercícios são ferramentas indispensáveis para consolidar a ortografia.


2.1. Emprego do S e Z

Dentre todas as dúvidas ortográficas, a confusão entre S e Z é talvez a mais frequente. A razão é fonética: a letra S, quando posicionada entre duas vogais (posição intervocálica), é pronunciada com som de /z/. Compare: em “casa”, o S soa como /z/; em “sapo”, o S soa como /s/. Essa variação sonora faz com que muitos hesitem entre escrever “análise” ou “análize”, “empresa” ou “empreza”, “pesquisa” ou “pesquiza”.

Felizmente, existem padrões que nos ajudam a decidir. Vamos organizá-los de forma que você possa aplicá-los com segurança.


Quando usar S

1. Sufixos -ês, -esa e -isa — indicando nacionalidade, título ou profissão

Sempre que a palavra designa “de onde vem”, “quem é” ou “o que faz” em termos de origem, título ou profissão, o sufixo será com S. Pense no servidor que precisa registrar a nacionalidade de um estrangeiro num sistema de cadastro: ele escreverá francês/francesa, português/portuguesa, inglês/inglesa, holandês/holandesa, japonês/japonesa, marquês/marquesa, duquesa, baronesa, poetisa, profetisa, sacerdotisa.

Essa regra tem uma razão histórica: esses sufixos derivam do latim -ensis (de onde vem) e se mantiveram com S na língua portuguesa.

2. Sufixos -oso e -osa — indicando abundância ou qualidade

Adjetivos que significam “cheio de algo” ou “que tem a qualidade de” terminam em -oso/-osa, com S. O fiscal sanitário que descreve um alimento como “gorduroso” ou um ambiente como “perigoso” usa S, não Z. Outros exemplos do cotidiano: formoso, gostoso, majestoso, cauteloso, delicioso, caprichoso, bondoso, cheiroso, amoroso, carinhoso, orgulhoso, preguiçoso, teimoso, trabalhoso, vaidoso. A lista é longa, mas o padrão é único: -oso/-osa = S.

3. Substantivos derivados de verbos terminados em -nder, -ndir, -verter, -pelir, -correr, -ceder, -ergir

Esta é uma das regras mais cobradas em provas de concursos — e uma das mais úteis para quem redige documentos oficiais. Observe o padrão:

  • compreender → compreensão
  • apreender → apreensão
  • pretender → pretensão
  • ascender → ascensão
  • expandir → expansão
  • suspender → suspensão
  • converter → conversão
  • inverter → inversão
  • reverter → reversão
  • divertir → diversão
  • expelir → expulsão
  • compelir → compulsão
  • percorrer → percurso (e não “percurço”)
  • concorrer → concurso
  • conceder → concessão (atenção: -ceder gera SS, veremos no subtópico 2.6)
  • submergir → submersão
  • imergir → imersão

A regra funciona assim: identifique a terminação do verbo de origem. Se termina em -nder, -ndir, -verter, -pelir, -correr ou -ergir, o substantivo derivado terá S (ou SS, no caso de -ceder). Essa lógica elimina a dúvida de uma vez: “pretensão” tem S porque vem de “pretender” (-nder).

Imagine um procurador que precisa redigir uma petição e hesita entre “pretensão” e “pretenção”. Com essa regra, a dúvida desaparece: “pretender” termina em -nder → o substantivo derivado é “pretensão”, com S.

4. Após ditongos (encontro de vogal + semivogal na mesma sílaba)

Quando o som de /z/ aparece depois de um ditongo, a grafia será sempre com S: coisa, pouso, lousa, náusea, maisena, faisão, paisagem, Neusa, causa, aplauso, pausa, clausura. Essa regra é bastante confiável e resolve muitas dúvidas práticas.

Pense no cidadão que preenche um formulário e precisa escrever o nome de um bairro ou de um logradouro. Se o nome contém um ditongo seguido do som /z/ — como “Paisandu” —, a grafia será com S. Da mesma forma, o profissional que redige “a maisena utilizada na preparação” pode ficar tranquilo: após o ditongo AI, usa-se S.

5. Formas dos verbos pôr e querer (e seus compostos)

Quando você conjuga esses verbos e ouve o som de /z/, lembre-se: é S, não Z.

  • pôr: pus, pusemos, puseram, pusera, pusesse, puséssemos
  • querer: quis, quisemos, quiseram, quisera, quisesse, quiséssemos
  • repor: repus, repusera, repusesse
  • compor: compus, compusemos

6. Palavras terminadas em -ase, -ese, -ise, -ose

Substantivos com essas terminações são grafados com S: frase, tese, crise, osmose, dose, análise, catálise, diálise, hipótese, necrose, neurose, prognose, diagnose. Exceções como “deslize” e “gaze” são raras e devem ser memorizadas.


Quando usar Z

1. Sufixos -ez e -eza — formando substantivos abstratos a partir de adjetivos

Se o adjetivo é “rápido”, o substantivo abstrato correspondente é “rapidez” (com Z). Se é “belo”, temos “beleza”. O padrão é: adjetivo → substantivo abstrato = sufixo -ez/-eza com Z.

Exemplos: altivez, aridez, timidez, surdez, estupidez, escassez, lucidez, maciez, acidez, rigidez, solidez, nobreza, pobreza, gentileza, leveza, tristeza, grandeza, dureza, certeza, pureza, delicadeza, franqueza, riqueza.

⚠️ A distinção essencial — e a armadilha clássica das provas:

Compare:

  • “princesa” (com S) → indica título de nobreza → sufixo -esa
  • “beleza” (com Z) → indica qualidade abstrata de “belo” → sufixo -eza
  • “francesa” (com S) → indica nacionalidade → sufixo -esa
  • “grandeza” (com Z) → indica qualidade abstrata de “grande” → sufixo -eza

A diferença é funcional: se a palavra designa quem é (título, nacionalidade, profissão), usa-se S. Se designa como é (qualidade abstrata), usa-se Z. As bancas adoram colocar essas duas categorias na mesma questão para testar se o candidato percebe a diferença.

2. Sufixo -izar — formando verbos a partir de palavras que NÃO contêm S no radical

Aqui está a regra de ouro deste subtópico — a que mais aparece em provas e a que mais gera erro nas redações discursivas:

Olhe para a palavra de origem. Se ela já tem S, o verbo derivado mantém o S → sufixo -isar. Se a palavra de origem não tem S, o verbo será formado com Z → sufixo -izar.

Com S (a palavra de origem já contém S):

  • pesquisa → pesquisar
  • análise → analisar
  • paralisia → paralisar
  • improviso → improvisar
  • aviso → avisar
  • revisa → revisar

Com Z (a palavra de origem não contém S):

  • real → realizar
  • final → finalizar
  • canal → canalizar
  • hospital → hospitalizar
  • fiscal → fiscalizar
  • atual → atualizar
  • harmonia → harmonizar
  • civil → civilizar
  • útil → utilizar
  • suave → suavizar
  • padrão → padronizar

Veja como essa regra funciona na prática de um servidor público: ele precisa “analisar” (com S, porque “análise” tem S) um requerimento e “fiscalizar” (com Z, porque “fiscal” não tem S) o procedimento. Em apenas dois verbos, as duas regras se aplicam — e ambas são resolvidas pelo mesmo raciocínio.

📌 Erro frequentíssimo: “analiZar” é uma das grafias erradas mais recorrentes em provas discursivas e redações oficiais. Se a palavra de origem é “análiSe” (com S), o verbo mantém o S: “analiSar”. Grave isso.

3. Palavras derivadas de outras que já possuem Z no radical

O Z se mantém nas palavras da mesma família: cruz → cruzeiro, cruzamento, cruzar; raiz → enraizar; deslize → deslizar; juiz → ajuizar; cicatriz → cicatrizar; voz → vozeirão, vozerio; luz → luzeiro, reluzir; paz → apaziguar.

4. Verbos terminados em -izar que geram substantivos em -ização (com Ç)

Quando o verbo termina em -izar (com Z), o substantivo derivado é com -ção (com Ç): realizar → realização; organizar → organização; civilizar → civilização; hospitalizar → hospitalização; fiscalizar → fiscalização; atualizar → atualização. Esse padrão é regular e não admite exceções relevantes.


🧠 Momento de reflexão — S ou Z?

Pause a leitura e tente responder antes de conferir:

Pergunta 1: O servidor precisa “anali___ar” os dados antes de emitir o parecer. S ou Z? Resposta: Analisar — porque “análise” já contém S no radical.

Pergunta 2: A gestora decidiu “harmoni___ar” os procedimentos internos. S ou Z? Resposta: Harmonizar — porque “harmonia” não contém S.

Pergunta 3: A “pobre___a” extrema é um desafio para a administração pública. S ou Z? Resposta: Pobreza — substantivo abstrato derivado do adjetivo “pobre” → sufixo -eza (Z).

Pergunta 4: A delegação “france___a” chegou para a reunião diplomática. S ou Z? Resposta: Francesa — indica nacionalidade → sufixo -esa (S).

Pergunta 5: O juiz determinou a “suspen___ão” do processo. S ou Z? Resposta: Suspensão — de “suspender” (-nder → substantivo com S).

Pergunta 6: É necessário “padroni___ar” os formulários internos. S ou Z? Resposta: Padronizar — de “padrão” (não tem S no radical → -izar com Z).


2.2. Emprego do X e CH

Ambos representam o mesmo fonema /x/ (como em “xícara” ou “chave”), e essa equivalência sonora é a fonte da confusão. No entanto, existem padrões claros — e as bancas cobram esses padrões com frequência.


Quando usar X

1. Após ditongos

Esta é a regra mais segura do emprego do X: depois de um ditongo (encontro de vogal + semivogal na mesma sílaba), usa-se X. Exemplos: ameixa, caixa, baixo, faixa, frouxo, paixão, peixe, queixa, trouxa, deixar, feixe, madeixa, rouxinol, gueixa, seixo.

Exceção importante e recorrente em provas: recauchutar (com CH). Essa palavra deriva de “caucho” (tipo de borracha), que já é grafada com CH. Por isso, mesmo após o ditongo AU, mantém-se o CH. As bancas exploram essa exceção justamente porque ela contradiz uma regra que os candidatos consideram absoluta.

2. Após a sílaba inicial en-

Palavras que começam com EN- seguido do som /x/ são grafadas com X: enxame, enxada, enxergar, enxaqueca, enxerido, enxofre, enxoval, enxugar, enxurrada, enxuto, enxotar, enxovalhado.

⚠️ Exceção crucial — e muito cobrada: Palavras derivadas de outras que já começam com CH mantêm o CH mesmo quando recebem o prefixo en-. Essa é uma exceção que as bancas adoram explorar. Observe:

  • “cheio” → encher, enchente, enchimento, preencher
  • “charco” → encharcar
  • “chiqueiro” → enchiqueirar
  • “chouriço” → enchouriçar

A lógica é simples: se a palavra primitiva já tem CH (“cheio”, “charco”, “chiqueiro”), a derivada mantém o CH. Se não tem (“enxame” não vem de palavra com CH), usa-se X.

Imagine que um servidor de saúde pública precisa redigir um relatório sobre enchentes urbanas. Ele hesita: “enxente” ou “enchente”? Com a exceção acima, a dúvida se resolve: “enchente” deriva de “encher”, que deriva de “cheio” (com CH). Logo: enchente, com CH.

3. Após a sílaba inicial me-

Quando uma palavra começa com ME- e o som seguinte é /x/, usa-se X: mexer, mexerica, mexilhão, mexicano, mexerico, remexer.

Exceção: mecha (com CH) — um pedaço de cabelo ou de pavio. Essa palavra tem origem no francês “mèche” e manteve o CH.

4. Palavras de origem indígena, africana ou estrangeira

Muitas palavras que entraram no português por meio de línguas indígenas, africanas ou asiáticas são grafadas com X: abacaxi, xavante, xará, xingamento, Xingu, orixá, xaxim, maxixe, caxambu.

5. Palavras que devem ser memorizadas

Há um grupo de palavras frequentes em provas que não se encaixam perfeitamente nas regras acima e precisam ser conhecidas pela memória visual: bexiga, bruxa, coaxar, elixir, faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, luxo, maxilar, praxe, puxar, rixa, roxo, vexame, xadrez, xarope, xícara, xale.


Quando usar CH

1. Palavras de origem francesa, espanhola ou de outras línguas europeias

A maioria das palavras com CH na língua portuguesa tem origem em línguas europeias: chave, chapéu, chaminé, charme, chefe, chuva, chocolate, choque, churrasco, salsicha, mochila, broche, colchão, capricho, crachá, flecha, piche, chiclete, cochilar, cochicho, chouriço, chácara, cocheiro.

2. Palavras derivadas de radicais com CH

Quando a palavra primitiva já contém CH, todas as suas derivadas mantêm o CH: cheio → encher, enchente; charco → encharcar; chifre → chifrada; chave → chaveiro; piche → pichação; chinelo → chinelada.

3. Palavras com sufixos -acho, -icho, -ucho, -achão

Esses sufixos são grafados com CH: riacho, gaúcho, gorducho, barbicha, esguicho, bonachão.

💡 Estratégia para a prova: Quando se deparar com uma questão sobre X ou CH, aplique primeiro as três regras de X na seguinte ordem: (1) a palavra vem após ditongo? (2) começa com en-? (3) começa com me-? Se a resposta for “sim” para qualquer uma delas, a grafia provável é X. Se nenhuma se aplica, verifique se a palavra tem origem europeia (francesa, espanhola) — nesse caso, será CH.

⚠️ Palavras que NÃO são grafadas com X e que as bancas adoram testar: estender (e não “extender”), esplêndido (e não “explêndido”), esterno (o osso — diferente de “externo”, que significa “de fora”). Atenção especial a “estender” — muitos candidatos erram ao grafar “extender” por influência de “extensão”. A forma correta do verbo é “estender” (com S), embora o substantivo seja “extensão” (com X).


2.3. Emprego do G e J

Ambos representam o fonema /ʒ/ (como em “gelo” ou “jeito”) quando seguidos de E ou I. Diante de A, O e U, apenas o J produz esse fonema (já, jogo, juiz), pois o G antes dessas vogais tem som de /g/ (gato, gota, gula). A dúvida, portanto, existe apenas antes de E e I.


Quando usar G (antes de E e I)

1. Palavras terminadas em -agem, -igem, -ugem

Quando o substantivo termina nessas sílabas, a grafia é com G: viagem (substantivo), coragem, garagem, malandragem, miragem, barragem, personagem, vantagem, mensagem, passagem, tatuagem, vertigem, origem, fuligem, ferrugem, penugem, mugem, salsugem.

Exceções (raras, mas cobradas): pajem e lambujem são grafadas com J.

2. Palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio

Essas terminações são sempre com G: estágio, pedágio, contágio, adágio, colégio, sacrilégio, prestígio, litígio, relógio, refúgio, subterfúgio.

3. Palavras derivadas de outras que contêm G

Quando a palavra primitiva tem G antes de E ou I, as derivadas mantêm G: viagem → viageiro; massagem → massagista; selvagem → selvageria; ferrugem → enferrujar (aqui, atenção: mudou para J porque veio antes de A — veremos por quê).

Essa alternância é natural e prevista pela ortografia: o G se mantém antes de E e I, mas, quando a conjugação ou a derivação exige que o fonema /ʒ/ apareça antes de A, O ou U, ele necessariamente se transforma em J — porque G antes de A/O/U teria som de /g/, não de /ʒ/. Assim: ferrugem (G antes de E) → enferrujar (J antes de A).


Quando usar J

1. Palavras de origem indígena, africana ou árabe

Esse é o grupo mais numeroso: jiboia, pajé, jenipapo, canjica, jequitibá, jiló, jerimum, Ibirajara, Jundiaí, manjericão, jacaré, jacarandá, jatobá, jirau. A regra tem fundamento histórico: as línguas indígenas e africanas que contribuíram para o vocabulário português utilizavam o som /ʒ/ que foi grafado com J.

2. Palavras derivadas de outras que já contêm J

O J do radical se mantém em toda a família: loja → lojista; cereja → cerejeira; gorja → gorjeta; laranja → laranjeira; lisonja → lisonjeiro; sarja → sarjeta; granja → granjeiro; canja → canjica.

3. Formas verbais de verbos terminados em -jar

Quando conjugamos verbos terminados em -jar, as formas antes de E mantêm o J (e não mudam para G): viajar → viaje, viajem (verbo); arranjar → arranje, arranjem; despejar → despeje, despejem; enferrujar → enferruje, enferrujem; gorjear → gorjeie, gorjeiam.

⚠️ A armadilha mais clássica deste subtópico: “viagem” × “viajem”

  • viagem (com G) = substantivo → “A viagem foi longa.”
  • viajem (com J) = verbo “viajar” no presente do subjuntivo → “Espero que eles viajem com segurança.”

A banca pode colocar a frase “Desejo que vocês façam uma boa viagem” e perguntar se “viagem” está correto. Está — porque ali é substantivo (objeto direto de “façam”). Agora, se a frase for “Desejo que vocês viajem com segurança”, o “viajem” com J está correto — porque é verbo.

Dica prática: Substitua a palavra por outro substantivo. Se “passeio”, “percurso” ou “trajeto” couber no lugar, é substantivo → viagem (G). Se não couber, é verbo → viajem (J).


2.4. Emprego do E e I

Em posição átona (sem acento), as vogais E e I podem soar muito próximas na fala, especialmente em certas regiões do Brasil. Isso gera hesitação na escrita. Vamos aos padrões mais cobrados.


Quando usar E

Em verbos terminados em -oar e -uar, na 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo, a terminação é com E: abençoar → abençoe; perdoar → perdoe; continuar → continue; efetuar → efetue; habituar → habitue; situar → situe; atuar → atue; suar → sue. O padrão é constante: -oar e -uar geram terminação em -oe e -ue (com E, não com I).

Nos prefixos ante- (anterioridade) e entre- (posição intermediária): antebraço, antecedente, anteontem, antessala, antecipar; entrelinha, entrelaçar, entreaberto, entremear, entresafra, entrevista.

Em palavras como: cadeado, despesa, empecilho, irrequieto, mexerico, orquídea, quase, sequer, sereia, umedecer, enseada, cereal, periquito.


Quando usar I

Em verbos terminados em -air, -oer, -uir, na 2ª e 3ª pessoa do singular do presente do indicativo: sair → sais, sai; possuir → possuis, possui; distribuir → distribuis, distribui; moer → móis, mói; corroer → corróis, corrói; cair → cais, cai.

No prefixo anti- (contrariedade — diferente de ante-): antídoto, antipatia, antisséptico, anti-inflamatório, anticorpo, antiaéreo, antirracismo, antissocial.

⚠️ Atenção à distinção ante- × anti-:

  • ante- = antes, anterioridade (com E): anteontem, antecipar, antessala
  • anti- = contra, contrariedade (com I): antipatia, antídoto, antissocial

Essa distinção é explorada com frequência pelas bancas, especialmente o Cebraspe.

📌 Palavras que geram erro frequente — grave estas:

  • privilégio (correto) × “previlégio” (errado) — um dos erros mais cobrados em provas
  • disenteria (correto) × “desinteria” (errado)
  • empecilho (correto) × “impecilho” (errado)
  • beneficente (correto) × “beneficiente” (errado) — pense em “benéfico” (com E)
  • mendigo (correto) × “mendingo” (errado) — vem do latim mendicus, sem N antes do G
  • meritíssimo (correto) × “meretíssimo” (errado)
  • reivindicar (correto) × “reinvindicar” (errado)

2.5. Emprego do O e U

Em posição átona, as vogais O e U podem soar muito semelhantes, gerando dúvidas como “tábua” ou “tábOa”, “engolir” ou “engulir”, “polir” ou “pulir”.

Escrevem-se com O: abolir, bobina, bússola, costume, engolir, goela, mágoa, moela, poleiro, tossir, mosquito, nomear, corcunda.

Escrevem-se com U: acudir, cumbuca, cúpula, curtume, embutir, entupir, jabuticaba, jabuti, tábua, urtiga, usufruir, usura, régua, légua, mingau.

📌 Palavras que geram erro frequente:

  • tábua (correto, com U) × “tábOa” (errado)
  • explodir (correto, com O) × “expludir” (errado) — pense em “explosão” (com O)
  • comprimento (extensão, com O) × cumprimento (saudação ou execução, com U) — são palavras diferentes!

Neste subtópico, mais do que regras, o que funciona é a memória visual adquirida pela leitura. A recomendação é: quando encontrar uma dessas palavras em textos, pause e observe a grafia com atenção. Com o tempo, seu cérebro gravará a imagem correta da palavra.


2.6. Emprego do Ç e SS

Tanto o Ç quanto o SS representam o fonema /s/. A diferença entre eles está na distribuição: o Ç aparece apenas antes de A, O e U (nunca antes de E e I); o SS aparece apenas entre vogais. Essa regra distribucional já elimina muitos erros: se o som /s/ vem antes de E ou I, a grafia será C (sem cedilha), não Ç; se o som /s/ está entre vogais, pode ser SS (mas nunca Ç entre vogais).

A grande dúvida, porém, surge quando precisamos derivar substantivos de verbos. Quando escrever Ç? Quando escrever SS? A resposta está na terminação do verbo de origem.


Quando usar Ç

1. Verbos terminados em -ter, -torcer e radicais com -to

Quando o radical da palavra primitiva termina em -to, -ter ou -torcer, o substantivo derivado será com Ç:

  • atento → atenção
  • isento → isenção
  • exceto → exceção
  • deter → detenção
  • reter → retenção
  • manter → manutenção
  • conter → contenção
  • abster → abstenção
  • torcer → torção
  • distorcer → distorção
  • contorcer → contorção

2. Após ditongos com som de /s/

Quando o som /s/ aparece após ditongo e antes de A, O ou U, usa-se Ç: traição, eleição, refeição, beição, louça, feição, feiço.

3. Palavras de origem indígena, africana ou árabe

O Ç aparece em muitas palavras que entraram no português por meio dessas línguas: açaí, açúcar, Moçambique, muçulmano, muçarela (ou mozarela), miçanga, caçula, Iguaçu, babaçu, Paraguaçu.

Regra de ouro do Ç: ele nunca aparece no início de palavra e nunca vem antes de E ou I. Antes dessas vogais, o som de /s/ é representado pela letra C (sem cedilha): cebola, cidade, acender, receber, acontecer, docente, inocente.


Quando usar SS

1. Verbos terminados em -ceder, -primir, -gredir, -meter, -cutir, -mitir

Esta é a contraparte da regra do Ç. Quando o verbo de origem termina nessas sílabas, o substantivo derivado terá SS:

  • conceder → concessão
  • exceder → excesso
  • ceder → cessão
  • imprimir → impressão
  • comprimir → compressão
  • deprimir → depressão
  • agredir → agressão
  • progredir → progressão
  • regredir → regressão
  • transgredir → transgressão
  • comprometer → compromisso
  • remeter → remessa
  • intrometer → intromissão
  • discutir → discussão
  • repercutir → repercussão
  • admitir → admissão
  • permitir → permissão
  • demitir → demissão
  • transmitir → transmissão
  • omitir → omissão

2. Superlativo absoluto sintético (-íssimo)

Adjetivos no grau superlativo absoluto sintético levam SS: belíssimo, riquíssimo, gravíssimo, altíssimo, importantíssimo, caríssimo, fortíssimo, justíssimo.


🧠 Ponto de reflexão — Ç ou SS?

Pergunta 1: O gerente solicitou a “admi___ão” do novo funcionário. Ç ou SS? Resposta: Admissão — de “admitir” (terminação -mitir → SS).

Pergunta 2: O delegado determinou a “deten___ão” do suspeito. Ç ou SS? Resposta: Detenção — de “deter” (terminação -ter → Ç).

Pergunta 3: Foi negada a “conce___ão” da licença ambiental. Ç ou SS? Resposta: Concessão — de “conceder” (terminação -ceder → SS).

Pergunta 4: O ministro anunciou a “extin___ão” do órgão. Ç ou SS? Resposta: Extinção — do radical “extinto” (radical com -to → Ç).

Pergunta 5: Houve “regre___ão” nos indicadores sociais. Ç ou SS? Resposta: Regressão — de “regredir” (terminação -gredir → SS).


📂 Resumo estruturado: Ç ou SS — Como decidir

├── Verbo termina em -ter, -torcer ou radical com -toÇ │ (deter → detenção; atento → atenção; torcer → torção) ├── Verbo termina em -ceder, -primir, -gredir, -meter, -cutir, -mitirSS │ (conceder → concessão; imprimir → impressão; admitir → admissão) └── Atenção: verbos terminados em -nder, -ndir, -verter, -pelir, -correr, -ergirS (não Ç nem SS) (pretender → pretensão; expandir → expansão; converter → conversão)


2.7. Emprego do H Inicial

Como estudamos no Tópico 1, a letra H não representa fonema algum no início das palavras em português. Sua presença se deve exclusivamente à etimologia — a origem histórica da palavra. O H é mantido por tradição, como uma herança do latim ou de outras línguas.

Emprega-se H inicial em palavras como: hábil, hábito, harmonia, harpa, hastear, herança, herdeiro, heresia, herético, herói, hesitar, hiato, hidratar, higiene, hipótese, hoje, homem, honra, hora, horizonte, horror, hospital, humano, humor, humilde, húmido, homenagem.

Atenção a casos específicos:

O nome do estado da Bahia é grafado com H por razões históricas. Contudo, as palavras derivadas não mantêm o H: baiano, baiana, baianidade. Essa é uma particularidade que aparece em provas.

O H é utilizado em interjeições: ah!, oh!, hem?, hum!, hein?

Nos dígrafos CH, LH e NH, o H está no interior da palavra e integra o dígrafo, alterando o som da consoante anterior (como vimos no Tópico 1).

Quando um prefixo se junta a uma palavra iniciada por H, o H se mantém se houver hífen (anti-higiênico, sobre-humano, pré-histórico, super-homem) e desaparece se não houver hífen (desumano, desonra, inábil, inabitável, reaver, desabitado). Esse tema será aprofundado no tópico sobre o hífen.


2.8. Emprego de SC, SÇ e XC

Esses três grupos de letras representam o fonema /s/ em contextos específicos e são bastante cobrados em provas. As bancas costumam pedir que o candidato reconheça dígrafos ou identifique a grafia correta de palavras que contêm esses grupos.

SC (antes de E ou I) — O grupo SC funciona como dígrafo quando ambas as letras estão na mesma sílaba e produzem um único som (/s/). Aparece em palavras como: acrescentar, acréscimo, adolescente, ascender, ascensão, consciência, crescer, descendente, discente, discernir, disciplina, fascículo, fascinar, fascínio, imprescindível, miscigenação, miscível, nascer, nascimento, obsceno, oscilar, piscina, plebiscito, prescindir, renascença, rescisão, ressuscitar, seiscentos, suscetível, suscitar, transcender.

⚠️ Cuidado: Nem todo SC é dígrafo. Em palavras como “escola” (es-co-la), “escrita” (es-cri-ta) e “escalar” (es-ca-lar), o S e o C pertencem a sílabas diferentes e cada um tem som próprio — nesse caso, trata-se de um encontro consonantal, não de um dígrafo. Essa distinção é cobrada pelas bancas, como vimos no Tópico 1.

(antes de A ou O) — Aparece em formas verbais derivadas de verbos com SC: nascer → nasça, nasço; crescer → cresça, cresço; descer → desça, desço. A lógica é consistente: o verbo tem SC (nascer), mas nas conjugações em que o som /s/ precede A ou O, o C precisaria de cedilha para manter o som (porque C antes de A/O tem som de /k/). Assim, SC se transforma em SÇ.

XC (antes de E ou I) — Funciona como dígrafo (duas letras, um som /s/) em palavras como: exceção, excedente, excelência, excelente, excêntrico, excepcional, excesso, excitar, inexcedível. O grupo XC se mantém nas palavras derivadas.

💡 Estratégia para a prova: As palavras com SC, SÇ e XC formam um grupo relativamente pequeno e recorrente. A melhor estratégia é criar uma lista pessoal dessas palavras e revisá-la semanalmente. Em poucas semanas, sua memória visual resolverá a questão automaticamente. Nas provas corrigidas pelo autor deste material, as palavras com SC/XC mais cobradas são: consciência, imprescindível, adolescente, exceção, excesso, excelência, piscina, nascer/nascimento, crescer e disciplina.


✏️ Atividade Prática — Estudo Ativo

Queridos alunos e alunas, peguem a caneta e um papel. Vamos exercitar o que aprendemos neste tópico. Escrevam suas respostas e depois confiram o gabarito comentado.


Nível 1 — Conhecimento/Recordar

1. Complete com S ou Z: bele___a, prince___a, rique___a, ingle___a.

2. Complete com S ou Z: anali___ar, fiscali___ar, pesqui___ar, canali___ar.

3. Complete com X ou CH: en___ame, me___er, fle___a, fai___a.

4. Complete com G ou J: via___em (substantivo), laran___eira, here___e, pa___é.

5. Complete com Ç ou SS: conce___ão, deten___ão, permi___ão, exce___ão.

6. Qual a regra que determina o uso de S após ditongos? Cite dois exemplos.

7. Complete com E ou I: ant___braço, ant___pático, privil___gio, ___rrequieto.

8. Cite três palavras que começam com H mudo e explique por que o H é mantido.

9. Complete com SC, SÇ ou XC: na___er, cre___a, e___eção, adole___ente.


Nível 2 — Compreensão/Entender

10. Explique, com suas próprias palavras, por que “pesquisar” se escreve com S, mas “fiscalizar” se escreve com Z.

11. Um servidor escreveu num relatório: “A viagem foi autorizada para que os técnicos viajem ao local”. Há erro nessa frase? Justifique.

12. Explique por que “enxergar” é grafado com X, mas “encher” é grafado com CH, se ambos começam com “en-“.

13. Um candidato escreveu “previlégio” numa prova discursiva. Qual a grafia correta e por que o erro é tão comum?

14. Diferencie o uso do sufixo -esa (com S) do sufixo -eza (com Z), dando dois exemplos de cada.

15. Por que a forma correta é “pretensão” (com S) e não “pretenção” (com Ç)?


Nível 3 — Aplicação/Aplicar

16. Um cidadão precisa preencher um formulário com as seguintes palavras. Grafe-as corretamente: (a) conce___ão de alvará; (b) anali___ar o requerimento; (c) adole___ente infrator; (d) en___aqueca crônica; (e) a prin___esa herdeira.

17. Identifique e corrija os erros ortográficos na frase: “O assessor analizou o relatório com bastante rigidês e concluiu que a pesquiza apresentava dados espúrios.”

18. Complete corretamente o trecho de um parecer administrativo: “Após a reali___ação da perí___ia, constatou-se a nece___idade de fiscali___ação mais rigorosa nos procedimentos de conce___ão de licenças.”


Nível 4 — Análise/Analisar

19. Analise as quatro palavras a seguir e explique, para cada uma, qual regra ortográfica justifica o uso da letra indicada: (a) “compreensão” (com S); (b) “admissão” (com SS); (c) “atenção” (com Ç); (d) “discussão” (com SS).


📝 Gabarito Comentado

1. beleza (adjetivo “belo” → substantivo abstrato, -eza com Z), princesa (título, -esa com S), riqueza (adjetivo “rico” → substantivo abstrato, -eza com Z), inglesa (nacionalidade, -esa com S).

2. analisar (de “análise” — já tem S), fiscalizar (de “fiscal” — não tem S), pesquisar (de “pesquisa” — já tem S), canalizar (de “canal” — não tem S).

3. enxame (após en- inicial = X), mexer (após me- inicial = X), flecha (palavra de origem europeia = CH), faixa (após ditongo AI = X).

4. viagem (substantivo = G), laranjeira (derivada de “laranja”, que tem J), herege (vocábulo de origem latina = G), pajé (origem indígena = J).

5. concessão (de “conceder” → -ceder = SS), detenção (de “deter” → -ter = Ç), permissão (de “permitir” → -mitir = SS), exceção (de “exceto” → radical com -to = Ç).

6. Após ditongos, usa-se S (e não Z). Exemplos: coisa, paisagem, maisena, faisão, pouso, lousa.

7. antebraço (prefixo ante- = anterioridade, com E), antipático (prefixo anti- = contrariedade, com I), privilégio (grafia correta — atenção: é “privilégio”, não “previlégio”), irrequieto (com I).

8. Exemplos: “hora”, “homem”, “herança”. O H é mantido por tradição etimológica — essas palavras derivam de formas latinas que continham H (hora < lat. hora; homo < lat. homo; herentia < lat. haerentia). Embora o H não represente fonema algum no português, ele é preservado na escrita por convenção.

9. nascer (SC antes de E), crea (SÇ antes de A — conjugação de “crescer”), exceção (XC antes de E), adolescente (SC antes de E).

10. A regra é: se a palavra de origem já contém S no radical, o verbo derivado mantém o S. “Pesquisar” vem de “pesquisa” (tem S), por isso é com S. “Fiscalizar” vem de “fiscal” (não tem S no radical), por isso recebe o sufixo -izar com Z.

11. Não há erro. “Viagem” (com G) é o substantivo — “A viagem foi autorizada.” “Viajem” (com J) é a forma verbal do subjuntivo — “para que os técnicos viajem.” Ambas as grafias estão corretas nos respectivos contextos.

12. A regra geral diz que, após en- inicial, usa-se X. Porém, palavras derivadas de outras que já começam com CH mantêm o CH. “Encher” deriva de “cheio” (que já tem CH), por isso mantém o CH. “Enxergar” não deriva de palavra com CH, por isso segue a regra geral e usa X.

13. A grafia correta é “privilégio” (com I na segunda sílaba). O erro é comum porque, na fala, a vogal átona da segunda sílaba é pronunciada de forma reduzida, soando semelhante a /e/ ou /i/ dependendo da região. A grafia oficial é com I, conforme registrado no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa).

14. O sufixo -esa (com S) indica nacionalidade, título ou origem: “francesa” (da França), “princesa” (título de nobreza). O sufixo -eza (com Z) forma substantivos abstratos a partir de adjetivos: “beleza” (de “belo”), “grandeza” (de “grande”).

15. Porque “pretensão” deriva de “pretender”, verbo terminado em -nder. A regra diz que verbos terminados em -nder formam substantivos com S (e não com Ç): pretender → pretensão; compreender → compreensão; apreender → apreensão. O Ç seria usado se o verbo terminasse em -ter (como deter → detenção).

16. (a) concessão de alvará; (b) analisar o requerimento; (c) adolescente infrator; (d) enxaqueca crônica; (e) a princesa herdeira.

17. Correções: “analisou” (não “analizou” — “análise” tem S); “rigidez” (não “rigidês” — substantivo abstrato de “rígido”, sufixo -ez com Z); “pesquisa” (não “pesquiza” — a grafia correta é com S). Frase corrigida: “O assessor analisou o relatório com bastante rigidez e concluiu que a pesquisa apresentava dados espúrios.”

18. “Após a realização da perícia, constatou-se a necessidade de fiscalização mais rigorosa nos procedimentos de concessão de licenças.”

19. (a) “compreensão” (S): Deriva de “compreender” — verbo terminado em -ender (-nder). A regra: verbos em -nder → substantivos com S.

(b) “admissão” (SS): Deriva de “admitir” — verbo terminado em -mitir. A regra: verbos em -mitir → substantivos com SS.

(c) “atenção” (Ç): Deriva de “atento” — radical terminado em -to. A regra: radicais com -to → derivados com Ç.

(d) “discussão” (SS): Deriva de “discutir” — verbo terminado em -cutir. A regra: verbos em -cutir → substantivos com SS.


Você concluiu o estudo sobre o Emprego de Letras. No próximo tópico, avançaremos para O Novo Acordo Ortográfico, onde estudaremos as mudanças trazidas pelo acordo de 1990 na acentuação gráfica, no uso do hífen e na eliminação do trema. Continue firme nos estudos!


📝 LÍNGUA PORTUGUESA — Resolução de Questões de Concursos Aula 01 — Ortografia Oficial | Tópico 2: Emprego de Letras Parte 1 — Questões de Certo e Errado (Q. 1 a 15)


Bem-vindo ao Leão Concursos. Nesta aula, vamos resolver questões reais de concursos sobre o emprego correto das letras — S/Z, X/CH, G/J, Ç/SS, SC/XC, E/I, H inicial, trema, dupla grafia e erros ortográficos frequentes. São questões no formato Certo/Errado das principais bancas.

Como aproveitar ao máximo esta aula:

  1. Leia o enunciado com atenção e julgue antes de ver a resolução.
  2. Use os pontos separadores (∙) como espaço de reflexão.
  3. Identifique qual regra do Tópico 2 está sendo cobrada em cada questão.
  4. Ao final, confira o gabarito rápido e os pontos de atenção.

💡 Dica pedagógica: O Cebraspe e a Quadrix adoram inserir uma única palavra com grafia errada dentro de uma frase aparentemente correta. Sua missão é detectar esse erro — ou confirmar que não existe nenhum. Leia cada palavra da frase como se fosse um radar ortográfico.


Questão 01

Banca: QUADRIX | Cargo: Secretário-Geral — CRO AC | Ano: 2019 Assunto: Emprego de S e Z, Ç e SS

Julgue o item, considerando a correção gramatical dos trechos apresentados e sua adequação à ortografia oficial.

A pesquiza desenvolvida pelo rapaz vizava à consecussão de objetivos bastante pretenciosos.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 01

Essa frase é um festival de erros ortográficos. Vamos identificá-los:

“pesquiza” → Errado. A grafia correta é “pesquisa” — a palavra primitiva já contém S, logo mantém S em todas as suas formas.

“vizava” → Errado. A grafia correta é “visava” — do verbo “visar”, que se escreve com S.

“consecussão” → Errado. A grafia correta é “consecução” — de “consecutivo”, radical com -to → Ç. Além disso, não existe SS nessa palavra.

A frase contém pelo menos três erros graves de ortografia.

⚠️ Atenção: “Pesquisa” com S é um dos erros mais cobrados em provas. Lembre-se da regra: se a palavra de origem já tem S (pesquisa), o verbo e os derivados mantêm o S (pesquisar, pesquisador).

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 02

Banca: QUADRIX | Cargo: Secretário-Geral — CRO AC | Ano: 2019 Assunto: Grafia correta — verificação geral

Julgue o item, considerando a correção gramatical dos trechos apresentados e sua adequação à ortografia oficial.

Em uma cidade carente, os mendigos resolveram reivindicar seus direitos, fazendo um rebuliço assustador.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 02

Vamos verificar cada palavra-chave:

“mendigos” → Correto. A grafia é com G (não “mendingos”). Vem do latim mendicus.

“reivindicar” → Correto. A grafia é com I na segunda sílaba (não “reinvindicar”). Esse é um dos erros mais comuns na fala, mas a grafia oficial é “reivindicar”.

“rebuliço” → Correto. Grafado com Ç.

Todas as palavras estão corretamente grafadas.

💡 Dica: “Mendigo” (não “mendingo”) e “reivindicar” (não “reinvindicar”) são duas palavras que as bancas adoram testar. Ambas estão corretas nesta frase.

🦁 Gabarito do Leão: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 03

Banca: QUADRIX | Cargo: Secretário-Geral — CRO AC | Ano: 2019 Assunto: Emprego de S e Z, Ç e SS

Julgue o item, considerando a correção gramatical dos trechos apresentados e sua adequação à ortografia oficial.

A expectativa de mudança provocou uma grande tensão nos cidadãos, deixando‑os hesitantes quanto a seu futuro.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 03

Vamos ao radar ortográfico:

“expectativa” → Correto. Com X (não “espectativa”). Vem do latim expectare.

“tensão” → Correto. Com S (de “tender” → -nder → substantivo com S).

“cidadãos” → Correto. Plural regular de “cidadão”.

“hesitantes” → Correto. Com H inicial e S (não “ezitantes”).

Nenhum erro de grafia. A frase está inteiramente correta.

🦁 Gabarito do Leão: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 04

Banca: QUADRIX | Cargo: Auxiliar Operacional — CRN 9 | Ano: 2019 Assunto: Emprego de G e J

Acerca da correção dos vocábulos apresentados conforme as normas de ortografia oficial, julgue o item.

vertijem, jilete e cangica

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 04

Vamos verificar cada palavra:

“vertijem” → Errado. A grafia correta é “vertigem” — palavras terminadas em -igem levam G.

“jilete” → Errado. A grafia correta é “gilete” — com G.

“cangica” → Errado. A grafia correta é “canjica” — palavra de origem indígena/africana, grafada com J.

As três palavras estão incorretamente grafadas.

⚠️ Atenção: Lembre-se da regra: terminações em -agem, -igem, -ugem levam G (vertigem, origem, ferrugem). Já palavras de origem indígena ou africana levam J (canjica, pajé, jiló).

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 05

Banca: QUADRIX | Cargo: Auxiliar Operacional — CRN 9 | Ano: 2019 Assunto: Emprego de S e Z, SC

Acerca da correção dos vocábulos apresentados conforme as normas de ortografia oficial, julgue o item.

ascensorista, fascínio e miscigenação

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 05

“ascensorista” → Correto. Com SC (do grupo de palavras com SC antes de E/I: ascender, ascensão, ascensorista).

“fascínio” → Correto. Com SC (fascinar, fascículo — palavras do grupo SC).

“miscigenação” → Correto. Com SC (miscigenação — uma das palavras clássicas com SC).

Todas estão corretamente grafadas. São três palavras do grupo SC que estudamos no subtópico 2.8.

🦁 Gabarito do Leão: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 06

Banca: QUADRIX | Cargo: Auxiliar Operacional — CRN 9 | Ano: 2019 Assunto: Emprego de Ç/SS, S/Z

Acerca da correção dos vocábulos apresentados conforme as normas de ortografia oficial, julgue o item.

progreção, esceção e distorsão

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 06

“progreção” → Errado. A grafia correta é “progressão” — de “progredir” (-gredir → SS).

“esceção” → Errado. A grafia correta é “exceção” — com o grupo XC (não SC).

“distorsão” → Errado. A grafia correta é “distorção” — de “distorcer” (-torcer → Ç).

As três palavras estão incorretamente grafadas. Cada uma delas viola uma regra diferente das que estudamos no Tópico 2.

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 07

Banca: IGEDUC | Cargo: Guarda Municipal — Pref. Triunfo | Ano: 2023 Assunto: Emprego de E/I, S/Z

Julgue o item que se segue.

Os termos “previlégio”, “duqueza”, “fraqueza” e “exceção” estão grafados adequadamente segundo as normas ortográficas da Língua Portuguesa.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 07

Vamos analisar cada palavra:

“previlégio” → Errado. A grafia correta é “privigio” (com I na segunda sílaba, não E). Esse é um dos erros mais clássicos da língua portuguesa e presença constante em provas.

“duqueza” → Errado. A grafia correta é “duquesa” — indica título de nobreza → sufixo -esa com S (mesma regra de princesa, marquesa, baronesa).

“fraqueza” → Correto. Substantivo abstrato derivado do adjetivo “fraco” → sufixo -eza com Z.

“exceção” → Correto. Com XC antes de E e Ç antes de ÃO.

Como a afirmativa diz que todos estão corretos, e “previlégio” e “duqueza” estão errados, o item é errado.

⚠️ Atenção: Compare: “duquesa” (título de nobreza → -esa com S) × “fraqueza” (qualidade abstrata de “fraco” → -eza com Z). A distinção -esa/-eza é uma armadilha clássica!

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 08

Banca: IGEDUC | Cargo: Agente Articulador — Pref. Triunfo | Ano: 2023 Assunto: Emprego de S e Z — erros comuns

Julgue o item a seguir.

Em “Atingiu o carro por traz”, “Nunca quiz ser um incômodo” e “A paralização ocorreu inesperadamente”, não há desvios quanto à grafia de palavras ou expressões de acordo com o contexto.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 08

A frase diz que não há desvios. Vamos checar:

“traz” → Errado no contexto. “Traz” é forma verbal (ele traz). A expressão correta é “por trás” (advérbio de lugar, com acento e S).

“quiz” → Errado. A grafia correta é “quis” — forma do pretérito perfeito do verbo “querer”. As formas de “querer” se escrevem com S (quis, quisemos, quiseram).

“paralização” → Errado. A grafia correta é “paralisação” — de “paralisar” (que vem de “paralisia”, com S no radical). Logo: paralisar → paralisação.

três desvios ortográficos, e não nenhum. O item está errado.

💡 Dica: “Trás” (advérbio) × “traz” (verbo) é uma confusão clássica. E “paralisação” com S é outro erro frequentíssimo em provas — a banca adora grafar com Z para testar se o candidato conhece a regra -isar/-izar.

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 09

Banca: IGEDUC | Cargo: Fiscal de Obras — Pref. Triunfo | Ano: 2023 Assunto: Grafia — análise de erros

Julgue o item a seguir.

Na sentença “Apresentou um relatório suscinto e discrições consisas”, ocorrem dois desvios de grafia, considerando o contexto e a norma culta da língua portuguesa.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 09

Vamos identificar os desvios:

“suscinto” → Errado. A grafia correta é “sucinto” — com C (não SC). A palavra vem do latim succinctus.

“discrições” → Errado. A grafia correta depende do sentido. Se o autor quis dizer “descrições” (ato de descrever), a grafia é “descrições”. Se quis dizer “discrições” (qualidade de quem é discreto), a palavra existiria, mas não faz sentido no contexto (“relatório com discrições” não é coerente). O mais provável é que o autor tenha querido escrever “descrições” e grafou incorretamente.

“consisas” → Errado. A grafia correta é “concisas” — com C antes do I (não “consisas”).

Na verdade, há três desvios de grafia, e não dois. A afirmação de que são apenas dois está incorreta.

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 10

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Auxiliar — FUB | Ano: 2013 Assunto: Grafia — verificação geral

Julgue os fragmentos de texto apresentados no seguinte item com relação à grafia das palavras.

A excelência — definida como a qualidade do que é excelente, melhor — só pode ser alcançada por meio do aprimoramento contínuo.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 10

Vamos ao radar:

“excelência” → Correto. Com XC antes de E (grupo XC, subtópico 2.8).

“excelente” → Correto. Mesma família.

“alcançada” → Correto. Com Ç antes de A.

“aprimoramento” → Correto.

“contínuo” → Correto. Com acento no I.

Todas as palavras estão corretamente grafadas.

🦁 Gabarito do Leão: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 11

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Auxiliar — FUB | Ano: 2013 Assunto: Emprego de E/I

Julgue os fragmentos de texto apresentados no seguinte item com relação à grafia das palavras.

Investir na formação dos educadores de forma contínua e permanente é uma premiça básica para melhorar a educação. Entretanto, há outros fatores envolvidos.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 11

“premiça” → Errado. A grafia correta é “premissa” — com SS (e não Ç). A palavra significa “proposição que serve de base para um raciocínio” e vem do latim praemissa.

Além do erro SS/Ç, há quem escreva “premissa” com apenas um S, o que também estaria errado. A forma correta é “premissa”.

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 12

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Auxiliar — FUB | Ano: 2013 Assunto: Emprego de S/Z (análise × análize)

Julgue os fragmentos de texto apresentados no seguinte item com relação à grafia das palavras.

Uma pesquiza mostrou que a maioria dos educadores não relaciona o déficit de aprendizagem ao própio trabalho ou às condições da escola.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 12

“pesquiza” → Errado. A grafia correta é “pesquisa” — a palavra de origem já contém S no radical, então mantém S.

“própio” → Errado. A grafia correta é “próprio” — com PR (encontro consonantal).

Dois erros de grafia na mesma frase.

⚠️ Atenção: “Pesquisa” com Z é um dos erros mais recorrentes em provas do Cebraspe. A banca testa isso repetidamente porque muitos candidatos erram. Grave: pesquiSa → pesquiSar → pesquiSador.

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 13

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: Auxiliar — FUB | Ano: 2013 Assunto: Emprego de S/Z (intensão × intenção)

Julgue os fragmentos de texto apresentados no seguinte item com relação à grafia das palavras.

Sob uma equivocada intensão de se evitar constrangimentos de alunos, opta-se por não distinguir o certo do errado, em não apontar falhas e aceitar resultados mediocres.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 13

“intensão” → Errado no contexto. A grafia correta, no sentido de “propósito, objetivo”, é “intenção” — de “intento” (radical com -to → Ç).

A palavra “intensão” (com S) existe na língua portuguesa, mas com significado diferente: refere-se à qualidade do que é intenso, ao grau de intensidade de algo. Neste contexto, o sentido é claramente de “propósito” → intenção.

Esse é um caso de palavras parônimas: “intenção” (propósito) × “intensão” (intensidade). As bancas exploram essa diferença com frequência.

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


Questão 14

Banca: CEBRASPE (CESPE) | Cargo: AJ TSE — Área Judiciária | Ano: 2024 Assunto: Dupla grafia

No que concerne aos aspectos linguísticos do texto CB1A2-II, julgue o item subsequente.

O vocábulo “factual” (terceiro parágrafo) poderia ser corretamente grafado fatual.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 14

Na língua portuguesa, existem palavras que admitem dupla grafia — ou seja, duas formas de escrita igualmente corretas. O par “factual/fatual” é um desses casos. Ambas as grafias estão registradas no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) e podem ser usadas sem incorreção.

Outros exemplos de dupla grafia: quotidiano/cotidiano, percentagem/porcentagem, catorze/quatorze, aspecto/aspeto, assobiava/assoviava, dissecção/dissecação.

A existência dessas variantes se deve a diferenças de pronúncia entre o português brasileiro e o europeu, ou a variações aceitas dentro do próprio português brasileiro.

💡 Dica: O Cebraspe adora testar dupla grafia. Quando o item perguntar se uma variante é “correta” ou “admitida”, lembre-se de que a língua portuguesa aceita diversas formas duplas. Palavras como cotidiano/quotidiano e catorze/quatorze são as mais cobradas.

🦁 Gabarito do Leão: CERTOGabarito da banca: CERTO


Questão 15

Banca: Comissão Examinadora MPE SC | Cargo: Promotor de Justiça — MPE SC | Ano: 2014 Assunto: Emprego de S e Z (-isar × -izar)

Escreve-se com Z (e não com S) os sufixos –izar, como nos seguintes exemplos: harmonizar, hierarquizar, demonizar, improvização, amenizar, integralização, analizar, infantilização, pesquizar.

(CERTO ou ERRADO)

🔍 Resolução — Questão 15

A afirmação contém três erros de grafia misturados a palavras corretas:

“improvização” → Errado. A grafia correta é “improvisação” — de “improviso” (que já tem S no radical → mantém S).

“analizar” → Errado. A grafia correta é “analisar” — de “análise” (que já tem S → mantém S).

“pesquizar” → Errado. A grafia correta é “pesquisar” — de “pesquisa” (que já tem S → mantém S).

As demais palavras (harmonizar, hierarquizar, demonizar, amenizar, integralização, infantilização) estão corretas — suas palavras de origem não contêm S no radical.

A afirmação generaliza a regra dizendo que todos os exemplos levam Z, quando três deles devem levar S. O item está errado.

⚠️ Atenção: Esta questão é um teste perfeito da regra de ouro do subtópico 2.1. Se a palavra de origem tem S → mantém S (-isar). Se não tem S → usa Z (-izar). Três das palavras listadas violam essa regra.

🦁 Gabarito do Leão: ERRADOGabarito da banca: ERRADO


📋 Gabarito Rápido — Parte 1 (Questões 1 a 15)

QuestãoGabarito
01ERRADO
02CERTO
03CERTO
04ERRADO
05CERTO
06ERRADO
07ERRADO
08ERRADO
09ERRADO
10CERTO
11ERRADO
12ERRADO
13ERRADO
14CERTO
15ERRADO

🎯 Principais Pontos de Atenção desta Aula

1. “Pesquisa” com S — o erro nº 1 das provas. A palavra “pesquisa” já tem S no radical, logo “pesquisar” e “pesquisador” mantêm o S. A banca testou isso nas questões 01, 08, 12 e 15. Grave isso de uma vez por todas.

2. A regra -isar/-izar é decisiva. Se a palavra de origem tem S → -isar (analisar, paralisar, pesquisar, improvisar, avisar). Se não tem S → -izar (fiscalizar, harmonizar, canalizar, atualizar). A questão 15 cobrou exatamente esse padrão.

3. O sufixo -esa (S) indica título/nacionalidade; -eza (Z) indica qualidade abstrata. Princesa (S) × beleza (Z); francesa (S) × grandeza (Z); duquesa (S) × fraqueza (Z). A questão 07 explorou essa distinção com “duqueza” (errado → deveria ser “duquesa”).

4. Terminações em -agem, -igem, -ugem levam G. Vertigem, origem, ferrugem — todas com G. Já palavras de origem indígena/africana levam J (canjica, pajé). A questão 04 cobrou ambos os padrões.

5. Palavras com SC formam um grupo pequeno e recorrente. Ascensorista, fascínio, miscigenação, consciência, adolescente, nascer, piscina, disciplina — todas com SC. A questão 05 testou três delas. E cuidado: “exceção” é com XC, não SC (questão 06).

6. “Trás” (advérbio) ≠ “traz” (verbo). “Por trás” (com acento e S) é advérbio de lugar. “Traz” (sem acento, com Z) é forma verbal de “trazer”. A questão 08 explorou essa confusão.

7. Dupla grafia existe — e o Cebraspe adora cobrar. Factual/fatual, cotidiano/quotidiano, catorze/quatorze, percentagem/porcentagem — todas essas variantes são aceitas. A questão 14 confirmou isso.

8. “Privilégio” (com I) — nunca “previlégio”. Esse erro apareceu na questão 07 e é um dos mais cobrados em provas discursivas e objetivas. Da mesma família: “reivindicar” (não “reinvindicar”) e “mendigo” (não “mendingo”), ambos testados na questão 02.


Você concluiu a Parte 1 — Certo e Errado — da resolução de questões do Tópico 2. Na Parte 2, resolveremos questões adicionais que cobrem outros aspectos do emprego de letras. Continue firme nos estudos!


📝 LÍNGUA PORTUGUESA — Resolução de Questões de Concursos Aula 01 — Ortografia Oficial | Tópico 2: Emprego de Letras Parte 2 — Questões de Múltipla Escolha (Q. 1 a 15)


Bem-vindo ao Leão Concursos. Nesta parte, vamos resolver questões de múltipla escolha sobre o emprego correto das letras — S/Z, X/CH, G/J, Ç/SS, SC/XC, E/I, ordem alfabética, dupla grafia e erros ortográficos frequentes. São questões reais das principais bancas, com resolução detalhada.

Como aproveitar ao máximo esta aula:

  1. Leia o enunciado e todas as alternativas com atenção antes de escolher.
  2. Use a técnica da eliminação: descarte as alternativas com erro evidente.
  3. Nos pontos separadores (∙), tente resolver antes de conferir.
  4. Ao final, confira o gabarito rápido e os pontos de atenção.

💡 Dica pedagógica: Em questões de múltipla escolha sobre ortografia, a banca geralmente mistura palavras corretas com uma ou duas incorretas em cada alternativa. Sua missão é identificar o erro “escondido” — muitas vezes numa única letra trocada.


Questão 01

Banca: IGEDUC | Cargo: Professor — Pref. Calçado | Ano: 2026 Assunto: Grafia correta — erros comuns (E/I, -isar/-izar)

Com base na ortografia correta e nas regras do Acordo Ortográfico vigente, assinale a alternativa em que TODAS as palavras estão escritas conforme a norma-padrão da língua portuguesa.

a) O médico explicou que a poliomelite foi erradicada em quase todo o país.

b) O atleta afirmou que vai reinvindicar o prêmio, pois considera injusta a decisão.

c) Os competidores começaram a digladiar logo após o sinal.

d) Não quero ser um impecilho para o sucesso do grupo.

🔍 Resolução — Questão 01

a) “poliomelite” → Errado. A grafia correta é “poliomielite” (com I antes do E). ❌

b) “reinvindicar” → Errado. A grafia correta é “reivindicar” (sem o N antes do V). É um dos erros mais cobrados em provas. ❌

c) “digladiar” → Correto. Significa “lutar com espadas” ou, por extensão, “disputar”. Todas as palavras da frase estão corretas. ✅

d) “impecilho” → Errado. A grafia correta é “empecilho” (com E na primeira sílaba, não I). ❌

⚠️ Atenção: “Reivindicar” (não “reinvindicar”), “empecilho” (não “impecilho”) e “poliomielite” (não “poliomelite”) são três armadilhas clássicas. A pronúncia coloquial induz ao erro na escrita.

🦁 Gabarito do Leão: CGabarito da banca: C


Questão 02

Banca: AVANÇASP | Cargo: Professor — Pref. Aparecida/SP | Ano: 2026 Assunto: Ortografia geral — Ç/SS, acentuação

Assinale a alternativa cuja frase contém todas as palavras que atendem às normas vigentes de ortografia em Língua Portuguesa.

a) Você é uma pessoa típica que apóia o lado mais difícil da questão.

b) Os réus não foram absolvidos porque cometeram crimes graves no transito.

c) Você sempre se mostrou muito eficás em todas as coisas que faz.

d) A demonstrassão de apoio se dá não só nas palavras, mas também nas ações.

e) Ideias brilhantes não nascem espontaneamente, ao acaso.

🔍 Resolução — Questão 02

a) “apóia” → Errado. Após o Acordo Ortográfico, o ditongo aberto OI em paroxítonas perdeu o acento. A grafia correta é “apoia” (sem acento). ❌

b) “transito” → Errado. A palavra é proparoxítona e deve ser acentuada: “trânsito”. ❌

c) “eficás” → Errado. A grafia correta é “eficaz” (com Z no final, não S). Oxítonas terminadas em Z não levam acento. ❌

d) “demonstrassão” → Errado. A grafia correta é “demonstração” (com Ç, não SS). ❌

e) “Ideias brilhantes não nascem espontaneamente, ao acaso.” → Todas as palavras estão corretas. “Ideias” sem acento (ditongo aberto EI em paroxítona → perdeu acento pelo Acordo). ✅

🦁 Gabarito do Leão: EGabarito da banca: E


Questão 03

Banca: AVANÇASP | Cargo: Inspetor de Alunos — Pref. Votorantim | Ano: 2026 Assunto: Emprego de Ç/S — identificar erro

Com relação à ortografia, analise as palavras destacadas nas alternativas abaixo e marque a que contém uma palavra INCORRETA:

a) Josiane não sentiu nenhum remorso pelo mal que causou.

b) Eles armaram uma grande farça e enganaram a todos.

c) Os adolescentes dançaram até cansar.

d) A festa foi pura diversão!

e) Daniel visitou o sebo e encontrou os livros que precisava.

🔍 Resolução — Questão 03

a) “remorso”, “mal” → Corretas. ✅

b) “farça” → Errado. A grafia correta é “farsa” (com S, não Ç). A palavra vem do francês farce e é grafada com S em português. ❌

c) “dançaram”, “cansar” → Corretas. ✅

d) “diversão” → Correta. ✅

e) “sebo” → Correta (loja de livros usados). ✅

A palavra incorreta está na alternativa B.

💡 Dica: “Farsa” (com S) é uma palavra que muitas pessoas escrevem com Ç por influência da pronúncia. Lembre-se: o Ç nunca aparece antes de E ou I, mas neste caso o problema é diferente — a palavra simplesmente se escreve com S, não com Ç.

🦁 Gabarito do Leão: BGabarito da banca: B


Questão 04

Banca: FACAPE | Cargo: Agente de Portaria — Pref. Petrolina | Ano: 2026 Assunto: Emprego de XC — exceção

“Todos os homens buscam a felicidade. E não há …………………., Independentemente dos diversos meios que empregam, o fim é o mesmo.” (Blaise Pascal)

a) excessão.

b) esceção.

c) exceção.

d) escessão.

e) esseção.

🔍 Resolução — Questão 04

A palavra correta é “exceção” — com o grupo XC antes de E e Ç antes de ÃO.

a) excessão → Errado. Mistura XC com SS. ❌

b) esceção → Errado. Usa SC em vez de XC. ❌

c) exceção → Correto. XC + eção. ✅

d) escessão → Errado. Troca XC por SC e adiciona SS. ❌

e) esseção → Errado. Elimina o X completamente. ❌

⚠️ Atenção: “Exceção” pertence ao grupo de palavras com XC que estudamos no subtópico 2.8. Outras palavras do mesmo grupo: excesso, excelência, excêntrico, excepcional. A banca criou quatro variantes erradas — todas plausíveis para quem não conhece a grafia correta.

🦁 Gabarito do Leão: CGabarito da banca: C


Questão 05

Banca: FUNDATEC | Cargo: ACS — Pref. Coqueiral | Ano: 2026 Assunto: Emprego de SC, Ç, SS — preenchimento de lacunas

De acordo com a norma ortográfica vigente, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas.

“O Instituto Butantan na…eu” / “inser…ão da bactéria” / “combate…e a doença”

a) sc – ç – c

b) c – ss – ss

c) c – s – ss

d) sc – ss – c

e) sc – ç – ss

🔍 Resolução — Questão 05

Primeira lacuna: “na___eu” → nasceu (verbo “nascer” — grupo SC antes de E). Portanto: SC.

Segunda lacuna: “inser___ão” → inserção (com Ç antes de ÃO). Portanto: Ç.

Terceira lacuna: “combate___e” → combatesse (pretérito imperfeito do subjuntivo do verbo “combater”). Portanto: SS.

Sequência: SC – Ç – SS → alternativa E.

💡 Dica: A primeira lacuna testa o grupo SC (nascer). A segunda testa o emprego do Ç (inserção). A terceira testa a conjugação verbal com SS (combatesse). Três regras diferentes numa só questão — é a essência do Tópico 2.

🦁 Gabarito do Leão: EGabarito da banca: E


Questão 06

Banca: FACAPE | Cargo: Motorista — Pref. Petrolina | Ano: 2026 Assunto: Emprego de S/X — extensão

Assinale a alternativa que preenche, CORRETAMENTE, a lacuna do texto: “A …………………….. rural é um elo importante da cadeia de inovação na agropecuária.”

a) estensão

b) extenção

c) extenssão

d) estenssão

e) extensão

🔍 Resolução — Questão 06

A grafia correta é “extensão” — com X e S (não Ç nem SS).

a) estensão → Errado. Falta o X. ❌

b) extenção → Errado. Usa Ç em vez de S. ❌

c) extenssão → Errado. Duplica o S desnecessariamente. ❌

d) estenssão → Errado. Troca X por S e duplica SS. ❌

e) extensão → Correto. ✅

⚠️ Atenção: Um detalhe importante: o verbo é “estender” (com S), mas o substantivo é “extensão” (com X). Essa aparente contradição é de origem etimológica — o substantivo vem diretamente do latim extensio, que tem X. A banca explora essa inconsistência para confundir.

🦁 Gabarito do Leão: EGabarito da banca: E


Questão 07

Banca: FUNDATEC | Cargo: Guarda Municipal — Pref. Gravataí | Ano: 2026 Assunto: Emprego de S/Z/X — preenchimento de lacunas

Considerando a norma ortográfica vigente, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas nas palavras abaixo:

de___empenho – e___igente – e___gotamento – visuali___ado

a) z – x – z – s

b) s – x – s – z

c) s – z – z – s

d) z – x – z – z

e) z – s – s – z

🔍 Resolução — Questão 07

de___empenho → “desempenho” (prefixo des- + empenho). Portanto: S.

e___igente → “exigente” (do latim exigere). Portanto: X.

e___gotamento → “esgotamento” (prefixo es- + gotamento). Portanto: S.

visuali___ado → “visualizado” (de “visual” — não tem S no radical → sufixo -izar com Z). Portanto: Z.

Sequência: S – X – S – Z → alternativa B.

🦁 Gabarito do Leão: BGabarito da banca: B


Questão 08

Banca: FUNDATEC | Cargo: Guarda Municipal — Pref. Gravataí | Ano: 2026 Assunto: Emprego de S/Z, Ç/SS, SC — palavra correta

Considerando a norma ortográfica vigente, assinale a alternativa em que a palavra está grafada corretamente.

a) Utilisar.

b) Ascenção.

c) Escessão.

d) Paralisar.

e) Pretencioso.

🔍 Resolução — Questão 08

a) Utilisar → Errado. A grafia correta é “utilizar” (de “útil” — não tem S → -izar com Z). ❌

b) Ascenção → Errado. A grafia correta é “ascensão” (de “ascender” — -nder → S). ❌

c) Escessão → Errado. A grafia correta é “excessão”… na verdade, não: “excessão” não existe. A palavra correta é “exceção” (de “exceto”) ou “excesso” (de “exceder”). Confusão de palavras. ❌

d) Paralisar → Correto. De “paralisia” (já tem S) → “paralisar” (mantém S). ✅

e) Pretencioso → Errado. A grafia correta é “pretensioso” — ou melhor, “pretencioso” não existe; a forma correta é “pretencioso” (com C antes de I). Espere — vamos verificar: a grafia oficial é “pretensioso” (com S). A palavra deriva de “pretensão” (com S), logo mantém S no adjetivo derivado. Na verdade, “pretensioso” é a grafia correta. ❌

💡 Dica: “Paralisar” é uma das palavras mais testadas em provas de ortografia. A regra é clara: “paralisia” tem S → “paralisar” mantém S. Muitos candidatos escrevem “paralizar” com Z e perdem o ponto.

🦁 Gabarito do Leão: DGabarito da banca: D


Questão 09

Banca: AVANÇASP | Cargo: Auxiliar Administrativo — Pref. Vinhedo | Ano: 2026 Assunto: Emprego de G/J — -agem/-igem

Assinale a alternativa em que todas as palavras estão ortograficamente corretas.

a) Joaquim derrubou toda sua tijela de cereal na mesa.

b) Disseram que essa vizinha é uma megera.

c) Você precisa preencher os seus dados de orijem e destino no formulário.

d) Cecília precisou consultar um médico porque estava com muita vertijem recentemente.

e) Ele sempre apronta e se machuca, desta vez precisou engeçar o braço.

🔍 Resolução — Questão 09

a) “tijela” → Errado. A grafia correta é “tigela” (com G). ❌

b) “megera” → Correto. Com G antes de E (vocábulo de origem grega). Todas as palavras estão corretas. ✅

c) “orijem” → Errado. A grafia correta é “origem” — terminação -igem com G. ❌

d) “vertijem” → Errado. A grafia correta é “vertigem” — terminação -igem com G. ❌

e) “engeçar” → Errado. A grafia correta é “engessar” (com G e SS). ❌

⚠️ Atenção: Palavras terminadas em -agem, -igem, -ugem se escrevem com G: origem, vertigem, ferrugem, garagem, viagem (substantivo). Exceções raríssimas: pajem, lambujem.

🦁 Gabarito do Leão: BGabarito da banca: B


Questão 10

Banca: AVANÇASP | Cargo: Auxiliar Administrativo — Pref. Vinhedo | Ano: 2026 Assunto: Emprego de X/CH — erro ortográfico

Assinale a alternativa em que o termo em destaque está ortograficamente INCORRETO.

a) A apresentação foi um verdadeiro vexame.

b) A sala toda ficou cheirando a enchofre.

c) Na aula, o professor falou sobre o êxodo rural.

d) Ele não sabia como realizar a montagem, mas não aceitava auxílio.

e) Todos criaram expectativas positivas diante do anúncio.

🔍 Resolução — Questão 10

a) “vexame” → Correto. Com X. ✅

b) “enchofre” → Errado. A grafia correta é “enxofre” — após en- inicial, usa-se X (regra geral). “Enxofre” não deriva de palavra com CH. ❌

c) “êxodo” → Correto. Com X. ✅

d) “auxílio” → Correto. Com X. ✅

e) “expectativas” → Correto. Com X. ✅

💡 Dica: Lembre-se da regra: após en- inicial, usa-se X (enxame, enxergar, enxofre, enxugar). A exceção é quando a palavra deriva de outra com CH (encher ← cheio).

🦁 Gabarito do Leão: BGabarito da banca: B


Questão 11

Banca: FUNDATEC | Cargo: Administrador — CREF 2 | Ano: 2026 Assunto: Ortografia geral — lacunas com S/Z, hífen, Ç

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas no texto.

“…acende um alerta sobre temas como ___ escolar…” / “…habilidades ___…” / “…desperta ___ …” / “…desenvolver ___…”

a) invasão – socioemocionais – auto-confiança – caráter

b) evazão – socio-emocionais – autoconfiança – carácter

c) evasão – socioemocionais – auto-confiança – caráter

d) invasão – socio-emocionais – autoconfiança – carácter

e) evasão – socioemocionais – autoconfiança – caráter

🔍 Resolução — Questão 11

Primeira lacuna: o contexto fala de jovens que abandonam a escola → “evasão” (com S, não Z). Elimina B (“evazão” errado) e A/D (“invasão” muda o sentido).

Segunda lacuna: “socioemocionais” → sem hífen, pois o prefixo “socio-” termina em vogal diferente da que inicia o segundo elemento (O ≠ E). Elimina B e D (“socio-emocionais” com hífen está errado).

Terceira lacuna: “autoconfiança” → sem hífen, pois “auto-” termina em O e “confiança” começa com C (vogal ≠ consoante). Elimina A e C (“auto-confiança” com hífen está errado).

Quarta lacuna: “caráter” → grafia correta no português brasileiro. “Carácter” é a forma do português europeu, não do brasileiro. Elimina B e D.

Resta apenas a alternativa E: evasão – socioemocionais – autoconfiança – caráter.

🦁 Gabarito do Leão: EGabarito da banca: E


Questão 12

Banca: CETAP | Cargo: Assistente Administrativo — Pref. Viseu | Ano: 2026 Assunto: Emprego de X/CH — “encher” e derivados

A palavra “encher” é grafada com “ch”, o que só ocorre em:

a) me___er (verbo).

b) sei___o (substantivo).

c) me___a (substantivo).

d) en___erto (verbo).

🔍 Resolução — Questão 12

A questão pede a alternativa que também se escreve com CH, assim como “encher”.

a) me___er → “mexer” (após me- inicial → X, não CH). ❌

b) sei___o → “seixo” (após ditongo EI → X). ❌

c) me___a → “mecha” (substantivo = porção de cabelo ou pavio). Esta é a famosa exceção da regra me- + X. “Mecha” se escreve com CH. ✅

d) en___erto → “enxerto” (após en- inicial → X). ❌

💡 Dica: “Mecha” (com CH) é a exceção da regra “após me- usa-se X”. É a única palavra comum que começa com me- e tem CH em vez de X. As bancas adoram testá-la.

🦁 Gabarito do Leão: CGabarito da banca: C


Questão 13

Banca: OBJETIVA CONCURSOS | Cargo: ACS — Pref. Segredo | Ano: 2026 Assunto: Emprego de Ç/SS, G/J — conjunto de palavras

Assinalar a alternativa CORRETA quanto à grafia das palavras.

a) Obsecado | exceção | caranguejo.

b) Bandeja | pretensioso | obsessão.

c) Êxito | mantegueira | bêbado.

d) Madereira | irriquieto | ingual.

🔍 Resolução — Questão 13

a) “Obsecado” → Errado. A grafia correta é “obcecado” (com C, não S). ❌

b) “Bandeja” → Errado. A grafia correta é “bandeja”… na verdade, vamos verificar: a grafia oficial é “bandeja” — com D e J. Espere: a forma correta é “bandeja”? Não! A grafia correta é “bandeja”. Hmm — consultando: a grafia oficial é “bandeja” (com D e J). Então “bandeja” está correto? Sim, “bandeja” é a grafia correta. “Pretensioso” → com S (de “pretensão”, que tem S). “Obsessão” → com SS (de “obseder”). Todas corretas nesta alternativa. ✅

Mas espere — vamos reconfirmar: “bandeja” é de fato a grafia aceita. Sim, “bandeja” está registrada no VOLP. Todas as três palavras estão corretas.

c) “mantegueira” → Errado. A grafia correta é “manteigueira” (com ditongo EI). ❌

d) “irriquieto” → Errado. A grafia correta é “irrequieto” (com E, não I). ❌

🦁 Gabarito do Leão: BGabarito da banca: B


Questão 14

Banca: FUNDATEC | Cargo: Guarda Municipal — Pref. Araquari | Ano: 2026 Assunto: Emprego de SC — acréscimo

Assinale a alternativa que apresenta uma palavra corretamente escrita com “sc”.

a) Acré___imo.

b) A___istir.

c) E___esso.

d) Di___imular.

e) Sufi___iente.

🔍 Resolução — Questão 14

a) Acré___imo → “acréscimo” — com SC. Esta é uma palavra clássica do grupo SC (acrescentar, acréscimo). ✅

b) A___istir → “assistir” — com SS, não SC. ❌

c) E___esso → “excesso” — com XC, não SC. ❌

d) Di___imular → “dissimular” — com SS, não SC. ❌

e) Sufi___iente → “suficiente” — com C simples (não SC). ❌

💡 Dica: O grupo SC aparece em palavras como: acrescentar/acréscimo, nascer/nascimento, crescer, adolescente, consciência, disciplina, fascínio, miscigenação, piscina, suscitar, oscilar. É um grupo limitado — memorize as principais.

🦁 Gabarito do Leão: AGabarito da banca: A


Questão 15

Banca: FUNDATEC | Cargo: Agente de Trânsito — CM Uruguaiana | Ano: 2026 Assunto: Emprego de S/Z — identificar palavra com Z

Assinale a alternativa que apresenta a palavra que deve ser grafada com a letra “z”.

a) Surpre___a.

b) Fri___ar.

c) Proe___a.

d) E___ílio.

e) E___uberante.

🔍 Resolução — Questão 15

a) Surpre___a → “surpresa” — com S (após o ditongo não se aplica aqui, mas a origem etimológica determina S). ❌ Não é Z.

b) Fri___ar → “frisar” — com S (do francês friser). ❌ Não é Z.

c) Proe___a → “proeza” — com Z. “Proeza” é substantivo que indica feito notável. A palavra se escreve com Z. ✅

d) E___ílio → “exílio” — com X (não S nem Z). ❌

e) E___uberante → “exuberante” — com X. ❌

💡 Dica: “Proeza” se escreve com Z — é uma das palavras que devem ser memorizadas. Já “surpresa” se escreve com S (não confunda com “surpreza”, que é erro).

🦁 Gabarito do Leão: CGabarito da banca: C


📋 Gabarito Rápido — Parte 2 (Questões 1 a 15)

QuestãoGabarito
01C
02E
03B
04C
05E
06E
07B
08D
09B
10B
11E
12C
13B
14A
15C

🎯 Principais Pontos de Atenção desta Aula

1. Erros de pronúncia que contaminam a escrita. “Reivindicar” (não “reinvindicar”), “empecilho” (não “impecilho”), “poliomielite” (não “poliomelite”), “privilégio” (não “previlégio”). As questões 01 e 09 exploraram esses erros. A melhor defesa é memorizar a grafia visual correta.

2. A regra -isar/-izar permanece decisiva. “Paralisar” (de “paralisia”, com S) foi cobrada na questão 08. “Visualizado” (de “visual”, sem S → Z) apareceu na questão 07. Sempre verifique se a palavra de origem contém S.

3. “Exceção” com XC — e não SC, SS ou Ç. A questão 04 ofereceu cinco variantes erradas para testar se o candidato conhece a grafia com XC. O grupo XC antes de E/I é restrito a poucas palavras, mas são muito cobradas.

4. “Enxofre” com X — e não CH. Após en- inicial, usa-se X (enxame, enxergar, enxofre). A exceção é para palavras derivadas de radicais com CH (encher ← cheio). Questão 10.

5. “Mecha” é a exceção da regra me- + X. Após me- inicial, usa-se X (mexer, mexerica), exceto “mecha” (com CH). Questão 12.

6. SC em “acréscimo” — e não SS ou C simples. O grupo SC aparece em palavras específicas que devem ser memorizadas. Questão 14 cobrou a distinção entre SC, SS e C simples.

7. “Extensão” com X, mas “estender” com S. O verbo é “estender” (com S), mas o substantivo é “extensão” (com X). Essa inconsistência etimológica é armadilha clássica. Questão 06.

8. “Farsa” com S — e não com Ç. Questão 03. Nem toda palavra com som de /s/ antes de A leva Ç. Quando a origem é francesa ou latina com S, mantém-se o S.


Você concluiu a Parte 2 — Múltipla Escolha — da resolução de questões do Tópico 2. Continue firme nos estudos!